22 de jun de 2010

Em tempo de Fenadoce

Neste ano, tive oportunidade de visitar duas vezes a Feira Nacional do Doce, realizada em Pelotas. Circulei pelos diversos stands, fiz compras, conversei com os expositores, muitos de fora de Pelotas (Bento Gonçalves, Novo Hamburgo, Florianópolis), todos contentes com as vendas e dispostos a voltar, no próximo ano.
Sucesso de público e de vendas, a 18ª Fenadoce proporcionou lotação esgotada aos hotéis e incrementou a economia da cidade. Mas o mais gostoso foi ver a participação das diferentes pessoas, a animação. Grupos estudantis se apresentavam no palco da Praça de Alimentação, nas duas vezes em que lá estive. Crianças e adolescentes dançavam, cada um vestido ao seu modo, transmitindo alegria de viver, nos gestos sincronizados, nas carinhas felizes. Pede-se mais que isso?

Pais passeavam com seus bebês, muitos dormindo nos carrinhos alugados à entrada; circulavam, sem dificuldade, pelos corredores largos e limpos. Crianças corriam de um brinquedo a outro, no Parque de Diversões. Enquanto isso, na Praça de Alimentação e no Café, grupos de amigos punham a conversa em dia, à volta de mesas concorridas. No palco da Cidade dos Doces, a velha guarda tocava e cantava músicas sempre atuais, despertando lembranças e sorrisos.

Talvez Pelotas ainda não esteja plenamente consciente de que seu coração bate mais forte, em tempo de Fenadoce. As pessoas combinam encontros com os amigos, se presenteiam com tempo para passear sem compromisso, têm oportunidade de apreciar inúmeras novidades. “Saem da toca” aqueles que costumam ficar em frente à TV, temerosos de enfrentar a violência das ruas. Por alguns dias, a cidade se sente possuidora de um “ponto de encontro”, um lugar onde confraternizar.

A primeira Feira Nacional do Doce aconteceu em 1986, criada pelo Poder Público, em cooperação com outras entidades. Em 1995, a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) assumiu o evento. Inicialmente, a Fenadoce ocorria a cada dois anos, sempre em locais diferentes. A partir do ano 2000, tornou-se anual e conquistou endereço permanente, com a compra do terreno próximo ao trevo de entrada da cidade, transformado em Centro de Eventos.

Em sua décima oitava edição, a Fenadoce mostrou que está no caminho certo, buscando se aprimorar, para corresponder a um público que se torna cada vez mais exigente. Enquanto os locais desejam a participação de comerciantes de outras cidades, para terem novidades, os visitantes esperam levar para suas localidades os produtos só encontrados aqui. Para ser bem administrado, esse jogo de interesses exige a maestria de profissionais.

Por outro lado, a importância assumida pelo evento também merece o aperfeiçoamento de detalhes, que podem fazer a diferença, como sabem seus organizadores. Como contribuição, deixo a sugestão de um local perene em que seja reconhecido o valor das primeiras doceiras de Pelotas, com seus nomes, além de fotos suas e das famosas bandejas com os doces tradicionais. Também seria simpático se o ingresso voltasse a proporcionar a aquisição de um doce, como anteriormente, e se o doce custasse menos do que custou, nesta edição; menos que no comércio local, inclusive. A idéia seria ganhar na quantidade, favorecendo o consumidor. Para isso, alguns doces também poderiam ser menores, como os tradicionais. Sendo mais baratos, quem desejasse compraria o segundo. Mas isso são idéias, o importante é que a Feira foi um sucesso. Espero a 19ª, com certeza de que será ainda melhor.

Um comentário:

Ruthe disse...

A Fenadoce é um,importante, evento e cresce a cada ano que passa. São momentos, felizes, dos quais todos necesitam, esquecendo dos problemas do dia - a - dia.Parabenizo esta gente, que proporciona tanta alegria, para vendedores e consumidores, não deixando de lado, de maneira nenhuma, a parte artística, que é fundamental, para o aprimoramento do ser humano.
Beijos