17 de abr de 2006

Parto sem dor

Tive um sonho, desses que se tem quando se dorme à tarde, após um lauto almoço, de preferência nas férias, que é para ninguém bater à porta e nos acordar antes do final. Sonhei que entrei numa academia de ginástica desconhecida e uma jovem grávida, deitada sobre um colchonete, fazendo exercícios, falou, ao me ver:
- Soube que fizeste parto sem dor.
_ É verdade – respondi, e logo acordei.
Ainda deitada, pensei na estranheza do sonho. É verdade que fiz parto sem dor, e foi das coisas certas que fiz na vida; mas por que lembrar, a esta altura?
Talvez para escrever sobre essa experiência, concluí. Quem sabe alguém – parturiente ou médico-ginecologista – precisa de um empurrãozinho?
Foi meu sogro quem me emprestou o livro sobre o assunto, que ele comprara por simples curiosidade. Também eu o achei curioso, principalmente pelas fotos das mulheres naquela abominável posição, com o mais lindo sorriso estampado no rosto. Sorrir, numa hora dessas?
Curiosa, perguntei ao meu ginecologista, Dr. Paulo, se ele não fazia o parto sem dor. Respondeu-me que já fizera e tinha vontade de repetir a experiência. Organizou uma turma pequena, acho que éramos cinco mulheres barrigudas, todas à espera do primeiro filho.
Tínhamos um encontro semanal, praticávamos diversos exercícios, mas o mais importante era o tema para casa: treinar a respiração do “cachorrinho”. Fiquei exímia, treinava em qualquer lugar: era só parar um instante e lá estava eu, ofegando.
Chegada a grande noite, fomos para o hospital, eu sempre “ahn – ahn – tchim”, que em outra coisa não pensava. Com o treino em que estava, era capaz de fazer por horas a respiração salvadora. Dor? Nem pensar.
Como a situação estava sob controle e tínhamos ido só os dois para o hospital, pois receei que mais pessoas pudessem me deixar nervosa, Dr. Paulo convidou meu marido para assistir ao parto, fato que não era habitual, naquela época. E, quando meu primeiro filho nasceu, o meu sorriso - de orelha a orelha – devia ser igual aos das fotos vistas no tal livro.
Mães e sogras pensam enaltecer a sua maternidade, contando detalhes do sofrimento para trazer ao mundo cada filho. Nas ante-salas dos consultórios médicos, nas rodas de conversas femininas, as narrativas de experiências negativas são aterrorizantes. “Parirás em dor” foi sentença assimilada desde a infância. A boa notícia é que talvez o sofrimento possa ser evitado, em muitos casos, o momento do parto transformado numa experiência rica, em que os exercícios respiratórios e o controle emocional têm papel importante.O nascimento de um filho é um dos momentos mais lindos na vida de um casal e sei disso, pois repeti a experiência, com o mesmo sucesso. Saber que ele não precisa ser sempre doloroso é benéfico e tranqüilizador. Principalmente, seria bom se esta compreensão alcançasse a toda mulher que, neste instante, acalente a sua barriga, temerosa do futuro. É preciso que esqueça tudo o que ouviu até hoje, feche os ouvidos para o que ainda vai ouvir e, junto com os exercícios respiratórios, treine o seu mais lindo sorriso. Porque, se acreditar e tiver sorte, vai usá-lo, com certeza.

Um comentário:

Anônimo disse...

Ola Cara Marta,

Bem sei que este seu texto foi escrito em 2006... bem talvez o escreveu para mim :)
Estou gravida do meu primeiro filho e estou de 8 semanas, mas muito sofridas.
Nao tem sido nada facil e tenho mesmo chorado muito porque o que era um desejo passou a ser o oposto...
Bem mas espero que esta minha historia mude e qeu este meu bebe seja prazer e desejo depois deste sofrimento.
Bem como nao tem sido facil e comecei a ter receio do que sera o meu parto. Nao quero epidural pois os risco que tem nao me atraiem pois sofro muito da minha coluna.
O meu pai falou-me de parto sem dor e por isso hoje decidi andar aqui na net a ver se encontro um modo como ter o meu parto sem dor.
Irei falar com o meu medico quando eu tiver a consulta em janeiro mas nao acredito que ele me possa fazer um parto sem dor e como estou num pais estrangeiro nao vejo como poderei conseguir aprender a ter um parto sem dor. No entanto queria deixar aqui o meu muito obrigada pelo seu texto que me deu uma forca extra para ir em frente e acreditar que tudo correra bem.
Espero que a marta lei-a o meu comentario e que eu consiga encntrar um modo de ter um parto como a marta teve porque a gravidez ja esta a ser dificil e eu nao queria olhar para o meu filho e pensar mas que sofrimento...
Deixo um grande e forte abraco
Alexandra da Irlanda