20 de dez de 2006

Um pouco da Ásia - parte VII - Cingapura


Confesso que a primeira impressão de Cingapura não é muito tranqüilizadora. No aeroporto, soldados com metralhadoras nas mãos circulam no meio dos transeuntes, enquanto crianças descuidadas correm e brincam entre a multidão.

O aeroporto internacional de Cingapura é considerado um dos maiores do mundo, além de muito bonito e moderno, como logo percebo. Jardins internos, quedas d’água, inúmeros canteiros e vasos com orquídeas, carrinhos para malas com freios potentes, shopping center com produtos de alta tecnologia, trens flutuantes para transporte interno, banheiros imaculados, chuveiros, saunas, piscina, academia de ginástica e até serviço de city-tour gratuito fazem parte desse gigantesco empreendimento.

Embora conste nos meios turísticos que é possível ir a Cingapura, não sair do aeroporto e voltar cheio de histórias, preferimos não averiguar a veracidade dessas informações. Embarcamos no ônibus enviado pelo hotel Conrad Centennial Singapore e para lá nos dirigimos.

A guia turística local, Jaen, é simpática, doce, de fala baixa e sorriso pronto. Segundo suas informações, Cingapura tem quatro milhões de habitantes, numa simbiose de raças e religiões; entre esses, quase um milhão de estrangeiros. Possui quatro línguas oficiais. Quase todos falam a língua inglesa e a nativa, ambas ensinadas nas escolas desde os primeiros anos; o ensino é obrigatório a partir dos seis anos, sendo quase gratuito, para os padrões cingapuranos: seis a vinte dólares ao mês.
Cingapura possui excelente serviço interurbano e uma das mais baixas tarifas internacionais.

A água potável vem da Malásia, por tubulação. Sem rios suficientes, o governo compra água do país vizinho, trata-a, consome a necessária e vende de volta a excedente.
Seu porto, um dos mais movimentados mundialmente, movimenta cerca de 140.000 barcos por ano; a cada três minutos, entra ou sai um barco.


O hotel Conrad Centennial Singapore é cinco estrelas, preocupado com os mínimos detalhes, no intuito de proporcionar conforto aos hóspedes: cama king-size; frutas e bombons sobre a mesinha redonda; uma grande escrivaninha, com papéis, canetas e postais; chinelos descartáveis; roupões felpudos; travesseiros de vários tipos; questionário sobre o tipo de travesseiro e toalhas que o hóspede gosta, se desejaria trocar por outro; ursinhos com a marca do hotel para levar como lembrança. Tanta comodidade desperta o desejo de ficar por aqui mesmo, mas é preciso jantar e conhecer os arredores.

Saímos a pé, conduzindo-nos até um pequeno centro comercial, localizado a uma quadra de distância, cujo ponto alto é o grande número de restaurantes; difícil escolher. Optamos pelo Country Manna e, como típicos turistas, antes de saboreá-la, fotografamos a tigela de sopa coberta com massa folhada, parte do jantar. Deliciosa.
Os peranakan, descendentes dos primeiros chineses que casaram com as mulheres malaias, são os responsáveis pela culinária, que mistura os ingredientes chineses com os molhos e condimentos malaios.

Às vinte e duas horas em ponto, embora o restaurante ainda esteja cheio, o garçom vem cobrar a conta e avisar que estão fechando. Depois, saberemos que quase todos encerram nesse horário, por sugestão do presidente. Ele prefere que os cidadãos durmam cedo,para acordarem dispostos e o trabalho render.

Assim, após rápida caminhada, voltamos ao hotel. Na gaveta de cabeceira, junto à usual Bíblia, encontro outro livro do mesmo tamanho: os ensinamentos de Buda. Na página direita, em inglês; na esquerda, caracteres chineses.

2 comentários:

Ruthe disse...

Marta!

Que maravilha podermos enxergar, para poder ver tanta beleza!
Acredito que é preciso ver tudo aos poucos, para podermos apreciar, os detalhes de cada lugar, de cada coisa.
Agradeço tuas crônicas, que me fazem viajar e me deliciar!

Beijos

Anônimo disse...

Querida, já estou louca para me hospedar neste hotel e dar contigo aquela voltinha, embora tenha ficado com pesar por ser só até á meia noite. Um beijo