2 de jun de 2007

Bode velho gosta de capim novo

O casal de namorados passeava pelo corredor do shopping center, quando ouviu a frase inesperada: ”Não suporto essa idéia de que bode velho precisa de capim novo”. A autora da frase era jovem. Estava indignada, explicou, satisfazendo a curiosidade dos ouvintes ocasionais, porque agora seu velho pai, viúvo, se saíra com essa. Falou “velho” apertando o canto dos lábios, como quem diz “qual é a dele? Nessa idade e ainda pensando nessas coisas”.

O casal de namorados seguiu seu caminho, agora com farto assunto para debate. A namorada disse que concordava com a filha queixosa, o pai devia procurar alguém da sua idade: _ Que bobagem é essa de precisar de capim novo?

No tom mais sério que conseguiu arranjar, o homem replicou: _ Quem já criou bode sabe que, se o capim não for novo, ele não consegue se alimentar direito. Porque a dentadura vai ficando escassa – apressou-se a completar, ao ver a expressão estranha no rosto da namorada.

Talvez bodes velhos precisem mesmo de capim novo, não sei. Sei que jovens em geral e filhas em particular têm dificuldade em aceitar que seus “velhos pais” ainda desejem manter relacionamentos amorosos. Pais que muitas vezes não são tão arcaicos como elas imaginam, no frescor da sua juventude. E se eles se sentem atraídos por pessoas mais jovens, fora da sua faixa de idade, e se elas da mesma forma se interessam pela relação, que mal há?

Todo relacionamento, amoroso ou não, exige respeito e consideração. Quando duas pessoas independentes têm prazer na companhia uma da outra, quando cada encontro é motivo de renovação e alegria, isso deve ser aceito e respeitado.

Desde sempre, homens solitários procuram de preferência mulheres jovens. Alguns não tão solitários também procuram, mas esta crônica não trata desses, pelos quesitos “respeito” e “consideração” exigidos aos participantes dessa história. Como não trata dos que preferem mulheres da sua idade, pois esses já têm a aprovação da sociedade, ainda que as filhas consigam outras razões para desaprovarem, ciumentas por natureza como são.

De algum tempo para cá, as mulheres gostaram da idéia e muitas, divorciadas ou viúvas, assumiram postura semelhante. Principalmente mulheres poderosas, famosas, atrizes globais e outras.

Algumas pessoas criticam, outras torcem o nariz, argumentam que dinheiro e poder devem ser afrodisíacos, “queria ver se ele fosse pobre”. Isso importa às pessoas interessadas? Se o tempo passou, levando outros amores, e a solidão foi a companheira que sobrou, que bom quando alguém encontra novamente prazer em viver, passear, dançar.

Aos jovens é difícil essa compreensão, justamente por estarem em diferente etapa da vida. Mas algum dia, quando o tempo correr e eles mesmos estiverem com os cabelos brancos, o passo lento, uma dor aqui, outra ali, se tiverem a sorte de encontrar alguém que ainda os ame e admire, aí poderão compreender. Talvez não seja o mesmo tipo de amor da juventude, mas também eles não serão mais os jovens que foram. Talvez precisem fazer concessões e ser tolerantes como antes não souberam ser, o que da mesma forma não será difícil. A essa altura já terão compreendido que na vida tudo tem seu preço.

13 comentários:

Eduardo disse...

Parabéns.
Artigo muito sensato.
Eu sou um "bode" de 46 anos que tem uma "cabrita" de 22, um filhinho de 2 e uma filha de 21. Não tenho dinheiro, ou melhor, tenho muitos compromissos com. Minha filha aceitou com tranquilidade, mas minha família não. Hoje, o relacionamento está passando por momentos tempestuosos, pois a falta do bendito(?) dinheiro nos afasta temporariamente. Estou desempregado e o pouco que ganhava mal dava para cumprir com os compromissos de marido e "chefe de família". Ela sempre aceitou a situação com bastante normalidade, pois não via problemas com a diferença de verões. Mas, na verdade, há sim: as diferenças nas metas de vida. Elas complicam, pois os desejos e necessidades aos 22 anos são bem diferentes daqueles que tem 46. Tenho espírito e comportamento jovem; aceito com tranquilidade a "inexperiência" dos 22; gosto e pratico atividades comuns às duas idades etc. Mas, contudo, os choques das idades são inevitáveis.
Aconselho a qualquer um envolvimentos desse tipo, desde que respeitados os princípios de cada um, pois além de renovar o corpo e alma dão motivação para continuar a luta pela sobrevivência do dia-a-dia.
Eduardo Machado

Marta disse...

Parabéns a você, Eduardo, pela coragem em se expor e, mais ainda, pela sabedoria de apreciar o que a vida lhe oferece.

Essa crônica tem justamente essa intenção: fazer cada um meditar sobre as suas verdades. Muitas vezes, a censura e o preconceito encobrem a inveja e a falta de coragem.

Na cômoda situação de mulher que se considera bem-casada, sinto-me à vontade para olhar outras realidades e procurar compreendê-las. Cada um sabe de si e faríamos todos grande favor a nós mesmos, se nos preocupássemos mais com a nossa vida e deixássemos os outros viverem as suas do jeito que quiserem.

MMoraes disse...

O problema é que essa posição é de mão única, quando a mulher se envolve com alguém mais novo, as críticas são ácidas.
Para uma convivência prolongada, sou contra a uma diferença de "verões" como diz o Eduardo.
Eu não conseguiria conviver diariamente com alguém que não conhecesse os BEE GEES, Beatles e acontecimentos de uma época que eu vivi.
É difícil encontrar um macho da nossa espécie com a auto-crítica do Eduardo, normalmente, a ausência de quesito, expõe velhos ao lado de meninas, o negócio é que eles nem percebem o ridículo da situação.
Marli Moraes
Rio

Sergio disse...

Bela abordagem, Marta!
E, segundo uma amiga, essas tentativas de relacionamento do homem com mulheres mais jovens (e bem mais jovens... da idade que tinha sua ex-mulher, quando casaram-se ou se conheceram...) trata-se de uma negação inconsciente do fracasso do casamento.
Como que se o homem quisesse recomeçar, partir do zero e não repetir-se nos erros.
O homem é "bicho casado", segundo essa amiga e, a imagem de envelhecer juntos é muito forte no imaginário das geração dos atuais quarentões e cinquentões. Então, quando isso é frustrado, uma força maior faz com que ele busque um resgate, um reinício, por assim dizer... quer viver as mesmas emoções de outrora num mesmo cenário para recomeçar.
Como diria Jorge Amado por alguns de suas personagens, "possa ser que sim, possa ser que não".

Ruthe disse...

Marta!

O tema desta Crônica nunca vai sair de moda!Através dos tempos se repete e se repete, com a única diferença é que, de uns tempos para cá, as mulheres também querem "capim novo"! Mas o preconceito com as mulheres continua e logo se escuta a famosa expressão - parece filho dela, uma vergonha!
Eu acredito no AMOR, e quando ele está no"ar",vale tudo, mas com ressalvas, isto é, que não envolva terceiros. Homens e mulheres livres, tem o direito de serem felizes, e é muito ruim ficar sozinho(a).

Beijos da Ruthe

Anônimo disse...

Martha, parabéns pelas suas crônicas. Você é inteligente e criativa.

Clésio Boeira
http://www.clesio.net

Silvana Rocha disse...

Marta, essa é pra você, e para outras mulheres que não sabem, e para os homens velhos:
Você pode estar certa por um lado(discriminação/preconceito) Porém,não teve o conhecimento do "outro lado da moeda".
Tenho 24 anos, e sou uma exímia observadora da vida.Sou estudante de direito em Recife, PE.
Você sabe por acaso o que significa análise sociológica?
Não vou falar o que é...poderia demorar muito.Pesquise.
Mas o que eu vou falar é a mais pura verdade:
Observe a vida.
Os homens velhos têm preconceito com as mulheres velhas, sabia? E te digo mais, as tratam mal, e muito. Eu tenho vários exemplos:
"Uma amiga minha no shopping com sua tia, lanchando.Um velho próximo, olhando para as pernas de quem? - De minha amiga.Então a tia dela ficou olhando para ele, e sabe o que disse?
-Eu gosto de laranja verde!
Moral da história, para os que não são bons entendedores:Os velhos têm preconceito com mulheres velhas, acham que só presta o que é jovem, novo.
Diga-me, como ele pode falar de um "defeito(a velhice)da tia de minha amiga se ele também o tem?
Eles são muito incoerentes. Desculpem o termo - são tão nojentos, safados que sequer raciocinam no que estão falando. Ou poderá ser seus neurônios falhando.
Outro exemplo: 1)Homens velhos puxam conversa só com jovens.
2)Homens velhos só são cavalheiros com jovens.
Eu, nestes casos estou sendo taxativa, sem mencionar exceções, porque as exceções que já vi fazem parte da minha família(irmão da minha mãe, e etc). Na rua, eu só vejo todas outras situações acima apontadas.
Uma frase:"Continue com as antigas teorias sobre a psiquè humana, porém sempre mantenha os pés no chão, para que possa ver a realidade e não o imaginário"

Silvana Rocha disse...

Marta, essa é pra você, e para outras mulheres que não sabem, enfim à todos aqueles que precisam ter Deus no coração:
A Sra. pode estar certa por um lado (discriminação/preconceito) Porém, não teve o conhecimento do "outro lado da moeda".
Tenho 24 anos, e sou uma exímia observadora da vida.Sou estudante de direito em Recife, PE.
Você sabe por acaso o que significa análise sociológica?
Não vou falar o que é...poderia demorar muito.Pesquise.
Mas o que eu vou falar é a mais pura verdade:
Observe a vida.
Os homens velhos têm preconceito com as mulheres velhas, sabia? E te digo mais, as tratam mal, e muito. Eu tenho vários exemplos:
"Uma amiga minha no shopping com sua tia, lanchando. Um velho próximo, olhando para as pernas de quem? - De minha amiga.Então a tia dela ficou olhando para ele, e sabe o que disse?
-Eu gosto de laranja verde!
Moral da história, para os que não são bons entendedores:Os velhos têm preconceito com mulheres velhas, acham que só presta o que é jovem, novo.
Diga-me, como ele pode falar de um "defeito(a velhice)da tia de minha amiga se ele também o tem?
Eles são muito incoerentes. Desculpem o termo - são tão nojentos, safados que sequer raciocinam sobre o que estão falando. Ou poderá ser seus neurônios falhando.
Outro exemplo: 1)Homens velhos puxam conversa só com jovens.
2)Homens velhos só são cavalheiros com jovens.
Eu, nestes casos estou sendo taxativa, sem mencionar exceções, porque as exceções que já vi fazem parte da minha família. Na rua, eu só vejo todas outras situações acima apontadas.
Uma frase:"Continue com as antigas teorias sobre a psiquè humana, porém não se esqueça de manter os pés no chão, para que possa ver a realidade e não o imaginário"
Por Silvana Rocha.

SILVANA ROCHA disse...

OBS:O último texto está redigido ainda melhor!

Anônimo disse...

Cara Silvana
Mesmo sem ter feito a análise sociológica que você mencionou, você não acha que exigir do velho que dentre as pernas da sua amiga e da sua tia, admire as da sua tia, é pedir um pouco de mais?

Ele pode ser velho, mas não precisa ser cego! hehe

Ricardo

Silvana disse...

Acho não.O que se deve é o mínimo de respeito para com as pessoas.
E essa resposta dele (do velho) foi incoerente, posto que o mesmo de forma indireta se auto-intitulou de laranja "madura".

Anônimo disse...

Eu tenho 50 anos, fui jogador de futebol profissional, sempre pratiquei esportes e festas. Ninguém acredita quando eu digo a minha idade. Namoro múuuito. Me divirto, viajo, e minha cabeça é muito mais aberta que a de muitos "jovens". Sou solteiro convicto. Mas como disse o Eduardo sobre o momento do seu relacionamento, tenho a dizer que "QUANDO A FALTA DE DINHEIRO ENTRA PELA PORTA, O AMOR FOGE PELA JANELA" é vero!!

LUIZ CLÁUDIO GALANTE disse...

ME COMPLIQUEI AO ENVIAR MEU E-MAIL, NÃO TENHO CONSTRANGIMENTO EM ME IDENTIFICAR, MEU NOME É LUIZ CLÁUDIO GALANTE E MEU E-MAIL É galantetricolor@gmail.com
Bom dia e muito Obrigado