14 de jul de 2007

Alma Campeira

A Alma Campeira de Maria Lúcia Drummond transpôs a fronteira do Brasil, para conquistar o Uruguai.

A primeira exposição da arte de Maria Lúcia no país vizinho aconteceu em Punta del Este, a convite da Liga de Fomento y Turismo, durante a semana da Páscoa, época em que o balneário recebe grande afluxo de visitantes.

Nessa ocasião, em virtude da aceitação demonstrada pelo público uruguaio, Maria Lúcia foi convidada a também expor seus trabalhos no Argentino Hotel, em Piriápolis, na primeira quinzena de julho, tempo das férias escolares. Antes de todas essas conquistas, a exposição Alma Campeira já havia sido realizada em Pelotas, terra natal da artista plástica.

Na pintura em Pastel Seco, Maria Lúcia revive as tradições do Rio Grande, através das vivências campeiras. Contrariando a preferência por temas abstratos, manifestada atualmente pela grande maioria dos pintores, sua arte fala do real, do palpável, das coisas simples que fazem a graça do cotidiano.

É a sua história de vida, apresentada de forma despretensiosa, com a maneira despojada que a caracteriza. É a bota do Dr. Mário, seu pai, as alpargatas acalcanhadas, o canto do galpão, os arreios à espera de serem usados, os porongos, o chimarrão preparado, o carro de mão com as abóboras recém colhidas, o poncho e o chapéu preto do capataz. São as reminiscências entranhadas na alma do gaúcho, lembranças que cada um julga suas, e de repente descobre que não respeitam fronteiras.

A trajetória como artista plástica iniciou em 1999, ao ingressar no Ateliê Giane Casaretto, em Pelotas. Até então, nas horas livres o seu interesse era dedicado ao canto e ao estudo do piano. No Ateliê, estudou Desenho e Técnicas pictóricas, especializando-se em Pastel Seco.

Em 2005, Maria Lúcia conquistou o primeiro prêmio no V Salão de Artes da Marinha, em Rio Grande, RS, com um quadro em que representou um farol visto pelo seu interior.

Desde então, para surpresa e encantamento da artista que, modesta, admira-se da repercussão alcançada, outras obras suas participaram de inúmeras exposições e salões no Brasil e no exterior. Dessa forma, a arte de Maria Lúcia levou o seu nome à Casa Mário Quintana, em Porto Alegre, RS; à Casa Chica da Silva, em Diamantina, MG; ao Museu de Arte de Maringá, PR; ao Museu de Arqueologia de Alegrete, RS; ao Palais SChlick, em Viena, Áustria; à Casa do Brasil, em Madrid, Espanha; ao Consulado brasileiro, em Bratislava, Eslováquia; ao Museu Nacional de Trinidad Tobago, em Porto of Spain; ao Museu do Homem Dominicano, em Santo Domingo, República Dominicana; a Pequim, China, e a Bangkok, Tailândia.

Fiel a si mesma, Maria Lúcia ignora as trilhas feitas, aceita os desafios, experimenta novos caminhos, aproveita oportunidades que a outros assustariam. Empenha-se em aperfeiçoar-se, descobrir, desbravar. Mais que o reconhecimento obtido pelo seu trabalho, importa a alegria íntima de se permitir criar e reconhecer a si mesma.

“Persegue o teu sonho, descobre a tua verdade” _ parecem dizer os seus quadros.

Um comentário:

Ruthe disse...

Marta!
Alfredo e eu tivemos a felicidade de ver o programa da Antônia e assim poder constatar tudo o que disseste à respeito da criatividade e o sentimento campeiro da Maria Lúcia.
Ficamos com lástima, quando os quadros desapareceram, da tela, de nosso televisor!
Beijos da Ruthe