11 de jul de 2007

Um pouco da Ásia - parte XXXII - Hong Kong



Pela manhã, os turistas brasileiros já mostram descontentamento com o Regal Kowloon Hotel: alguns quartos apresentam mofo nas paredes, houve vazamento de esgoto em dois apartamentos, os hóspedes acordaram com os quartos inundados, um cheiro horrível. Para sorte e por puro acaso, o nosso não apresentou nenhum inconveniente. Os outros trocaram de apartamento.

Em Hong Kong, teremos os dias livres para passear e conhecer a cidade, o que não é difícil, pela facilidade da comunicação em inglês. Como o hotel é muito bem localizado, saímos a caminhar. No Harbour City, um extenso shopping center, localizado junto ao píer, na Canton Road, os navios aportam para descarregar as mercadorias. Grifes como Armani, Lous Vitton, Dior, convivem com as imitações perfeitas.

Na Avenue of the stars, a calçada tem pontos luminosos no chão, com as marcas dos pés de artistas famosos e as fotos de alguns, como Bruce Lee e Jackie Chan.


À noite, fazemos um passeio de barco pela baía, a partir do Star Ferry Pier, com duração de uma hora e meia. Cruzamos com outros barcos, todos muito iluminados e alegres. A visão é emocionante. Os edifícios ao redor da baía, inclusive os bancos, apresentam um lindo jogo de luzes, mudando de cor, gradativamente. É tão lindo, que é impossível deixar de acompanhar o movimento das luzes.

Em frente ao píer, no último andar do imponente Hotel Península, vamos conhecer o Bar Félix. Construído em 1928, em estilo colonial, o hotel hospedava os passageiros do Expresso Oriente. No bar, a cortina de canutilhos se abre automaticamente, quando nos aproximamos. No ambiente semi-iluminado, diversos grupos conversam, vislumbrando a baía iluminada, através das janelas totalmente envidraçadas. O banheiro do bar é todo em mármore bege, inclusive a porta, essa tão pesada, que a atendente precisa ajudar a abrir. A pia, um grande bloco de mármore retangular, colocado no meio do banheiro, parece uma fonte: a água que jorra constantemente das três torneiras altas escorre sobre o mármore abaulado.

Depois, para estender a noite, vamos conhecer o Restaurante Aqua, no qüinquagésimo nono andar do One Peking Road Tsimshatsui, em Kowloon. O elevador vai até o andar 29, onde é preciso mudar de elevador para subir mais 30 andares.

São vinte e duas horas, o restaurante já está fechado, mas somos convidados a entrar para conhecer. Tanto a vista da cidade como a da baía são deslumbrantes, ainda mais lindas que no Bar Félix. Através das janelas envidraçadas, tem-se uma visão completa da cidade, pelo fato de se estar muito acima de tudo.

O restaurante é grande, sofisticado, com o piso de vidro vermelho e um interessante e contínuo jogo de luzes coloridas. Há vários ambientes, todos diferentes, divididos por paredes de vidro, o que transmite uma sensação de intimidade. Cada ambiente tem seu preço diferenciado para a consumação. A diferença reside nos detalhes: a mesa redonda para dois, por exemplo, é a mais cara por causa do exclusivo lustre de cristal. Em outras, o preço aumenta ou diminui de acordo com quanto se vislumbra da vista privilegiada da cidade ou da baía.

Em outro andar, conseguimos uma mesa no bar japonês, justamente ao lado da parede envidraçada, para desfrutarmos da visão da baía. Tiramos os sapatos à entrada. O encosto das cadeiras fica no mesmo nível da mesa, os pés ficam num buraco sob a mesa, o que é ótimo, pois temíamos precisar ficar de pernas cruzadas por uma hora.
Recebemos indicação de que o Restaurante Hutong, no Vigésimo oitavo andar, também é muito bom, bonito e sofisticado, mas não vamos até lá, pois já está fechado. À meia-noite, saímos, está na hora de o bar fechar. É difícil encontrar lugares abertos após esse horário.

Um dos casais que nos acompanha na peregrinação noturna tem indicação de um ótimo restaurante, que permanece aberto até mais tarde. Até aqui, mais interessados em conhecer um e outro ambiente, comemos apenas coisas leves, como amendoins e azeitonas, acompanhando a cerveja. A idéia de jantar, portanto, parece interessante. Além do mais, animados como estamos, o sono talvez demore a vir; por isso, desejosos de aproveitar ao máximo a noitada em Hong Kong, decidimos conhecer o tal restaurante. Eles não sabem o endereço, mas sugerem que o nosso táxi siga o deles, pois o motorista assegura saber onde fica.

Os táxis em Hong Kong são Mercedes, amplos, confortáveis para cinco pessoas. Somos três casais, por isso nos dividimos em dois táxis: o casal que sabe o endereço segue no primeiro, nós e o terceiro casal entramos no segundo táxi.

Mal sentamos, o primeiro taxista encarreira o táxi ao lado do nosso, abaixa o vidro da janela e diz para o nosso motorista: Follow me (siga-me) _ e se arranca. No primeiro semáforo, ele consegue passar no último momento, o sinal fecha e o nosso tem que esperar. Aí o nosso motorista começa a falar “Follow me”, “Follow me”, agitando as mãos e repetindo a ordem recebida, como a explicar que lhe haviam exigido algo impossível. O semáforo abre e falamos “Folow him”, com naturalidade, só para nos divertirmos com o seu mau-humor. Como se ainda fosse possível alcançar o outro, que saiu em disparada. Incrédulo, ele repete: “Follow him”, “Follow him”. Compreendemos que está completamente perdido, além de mau-humorado, e mostramos o cartão do hotel, para que nos leve até lá.

Tanto o restaurante como o bar do Hotel já fecharam, então voltamos à rua, para procurar alguma coisa para comer, nas redondezas. Após andar um pouco, compreendemos que não há nada aberto, passada a meia-noite. No quarto, temos apenas uma maçã, que ainda precisa ser dividida e me cabe a metade, mas tudo bem. Adormeço feliz, sonhando com luzes coloridas.

Um comentário:

Ruthe disse...

Marta!

Acredito que não somente o restaurante ficava nas alturas, mas toda esta maravilhosa experiência em outras paragens!
Repito mais uma vez o pensamento de que nosso mundo é por demais lindo, e o meu sentimento de como ele é maltratado, sem uma parcela de consideração, principalmente com as pessoas!

Ruthe