2 de jun de 2008

É tudo igual

O homem estava no segundo casamento, quando ouviu do jovem que as coisas não estavam funcionando como antes, no seu. Experiente, aconselhou: “Trocar de mulher não adianta. Depois de um tempo, é tudo igual. O melhor é dar um tempo, para esfriar a cabeça”.

Imagino que “tudo igual” não signifique que as mulheres sejam todas iguais – porque não são – e, sim, que os relacionamentos apresentam semelhanças: começam num mar de rosas, depois aparecem os espinhos. Após muitos arranhões, inclusive na auto-estima, a vontade é pular fora o quanto antes.

Pessoas possuem teclas internas que, acionadas, podem apresentar resultados indesejados, conforme o humor dos parceiros. Tais quais ruídos a perturbarem a programação, ressentimentos e sentimentos diversos deturpam as melhores intenções. Certas situações, a princípio levadas na esportiva, com o tempo passam a irritar. Da mesma forma, hábitos antes encarados com benevolência mais tarde se transformam em motivo de atrito. Quando acaba a novidade ou surgem problemas financeiros, aquelas atitudes consideradas charmosas ou divertidas – demorar horas para se vestir ou não saber se vestir, passar as tardes de domingo em frente à TV ou nunca ficar em casa – representam o estopim para a briga.

Numa crônica recente, Arnaldo Jabor comenta sobre o grande número de casamentos que acabam em divórcio, hoje em dia, em conseqüência da dificuldade de viver com a mesma pessoa, na rotina do dia-a-dia. Contudo, em lugar de trocar a parceria, aconselha a “renovar o casamento, voltar a namorar, cortejar, se vender, seduzir e ser seduzido”.

A idéia de “se vender” vem a calhar, porque o vendedor costuma se preocupar com a melhor forma de apresentar o produto. Inclusive, varia a apresentação ou acrescenta novidades, no intuito de manter o público interessado. Pessoas também precisam se renovar, efetuar mudanças em si mesmas e no ambiente em que vivem. Mas, como lembra o cronista, em geral elas só tomam tais atitudes quando estão à cata de um parceiro ou começando outro relacionamento.

Aí, o homem se preocupa em fazer abdominais, a mulher corre para a academia, procura um curso de atualização, ambos começam a freqüentar restaurantes e barzinhos, estudam programas de viagens, descobrem que bem poderiam ter ido mais vezes a Buenos Ayres e quantas coisas poderiam ter feito juntos. Por isso, seria mais fácil e mais barato recomeçar com a mesma pessoa, em novos moldes.

Pessoas mudam, crescem, envelhecem, criam manias, apresentam outras necessidades e descobrem novos interesses, razões pelas quais exigem respostas diferentes, de acordo com cada momento da vida. Por isso, é preciso se reciclar, de vez em quando. Olhar para o outro com o interesse com que se olharia para uma pessoa desconhecida com quem se apresentasse a oportunidade de iniciar um relacionamento; principalmente, estar atento às mensagens subliminares que começam a ser enviadas bem antes que os avisos de alerta se ponham a piscar.

Recomeçar com a mesma pessoa exige muita generosidade, paciência, empenho em vencer a teimosia e os hábitos arraigados. Não é fácil, portanto. Mas será divertido e estimulante, se houver amor, o único ingrediente capaz de justificar todo o esforço. Se não, é partir para a luta, com a grande possibilidade de que tudo volte a se repetir. Afinal, segundo especialistas, após algum tempo tudo se repete.

Um comentário:

Ruthe disse...

Querida Amiga!

Existem casos e casos, mas no final, tudo se repete, concordo.
Entre "morrer ou renovar", vamos optar pela segunda opção. Renovar sempre, nas mínimas coisas, sem stress, porque vai ser proveitoso.

Beijos