9 de jun de 2009

Sem preconceito

No voo para Orlando, entre outras opções de filmes, cliquei em Marley e Eu. Antes, nas diversas oportunidades que tive para assistir ao filme, preferi recusar, pela certeza de que se dirigia ao público infantil.

Em resumo, assisti e gostei muito. O filme, que pretensamente conta a história do estabanado cão Marley e dos tumultos provocados por sua presença na vida de uma típica família americana, na verdade fala sobre relacionamentos, de forma madura e verdadeira.

Aliás, confesso que o filme me emocionou, muito pela lembrança de cães maravilhosos que passaram em minha vida, às vezes aborrecendo, no final sempre conquistando, com a sua lealdade incondicional. Outro tanto pelo relacionamento do casal, que foi mudando e se fortalecendo, entre as confusões causadas por Marley e a chegada e o crescimento dos filhos. Muito verdadeiro o filme, sem a pieguice esperada.

Mas ninguém me disse que o filme era piegas; olhei as imagens e decretei, por conta própria e puro preconceito.

Preconceito é a certeza de que não se gosta de alguma coisa, sem sequer conhecê-la. É a decisão de que não vale a pena ser vista ou conhecida, porque com certeza não seria apreciada. Bem, essa definição não deve ser a que consta no dicionário, mas, como não tendo o Houaiss por perto, deve servir. Afinal, não vamos ser preconceituosos até com as definições. Principalmente, vindas de alguém que acha tempo de compartilhá-las, em pleno reino da fantasia.

Anteriormente, da mesma forma que em relação ao filme Marley, cultivei preconceito em relação à Disney World, considerando-a coisa pra criança. E também gostei tanto, quando me desfiz do preconceito, que voltei outra vez e mais essa, agora só para ir ao Animal Kingdom e a algumas atrações da Universal Studios.

Novamente, trouxe meu lado infantil para brincar na Disney. Encantei-me com os filmes em terceira dimensão, ri como há muito não ria, graças aos efeitos especiais nas aventuras da família Simpsons.

Sem preconceito, apreciei a organização e a tecnologia empregada, os milhares de empregos proporcionados através da diversão, a educação do povo americano, respeitando filas e espaços.

Nas avenidas de Orlando, admirei o trânsito fluindo sem stress, a amplidão dos espaços, as vagas grandes nos estacionamentos, o respeito com as pessoas necessitadas de atendimento especial.

Em todos os lugares, observei a limpeza das ruas, das calçadas, dos corredores nos centros comerciais e dos banheiros públicos. Não vi meninos nas sinaleiras, fazendo malabarismos, na intenção de angariar moedas, nem vendendo quinquilharias, a fim de sobreviver. Nenhum se ofereceu para cuidar o carro; ninguém riscou a pintura, por ter o oferecimento recusado. Nos estabelecimentos comerciais, conversei com jovens brasileiros, contentes pela oportunidade de trabalho encontrada aqui. Nas portarias da Disney, vi gente de bastante idade, prestando serviços e garantindo a sua dignidade.

Ainda que nem tudo seja perfeito _ e nunca é, em lugar algum – é inegável que temos muito a aprender com esse povo obstinado, trabalhador e patriota. Há quem critique a cultura americana e odeie os Estados Unidos, sem conhecer. Puro preconceito.

2 comentários:

Ruthe disse...

De uma maneira ou de outra somos preconceituosos.Sim, temos preconceito com pessoas,credos, raças; com convites, quando estamos em festa, com comida,com paises, com o visual, enfim com tudo que nos cerca, e por mais que negarmos esssa afirmativa, nunca será válida!

maria isabel disse...

Também gostei do filme do Marley, mas achei o livro melhor ( já tinha lido antes) e achei que o filme ficou devendo aos leitores do livro. O livro tem cenas que deveriam, a meu ver, estarem no filme. Quanto a DYsney, senti o mesmo que tu quando fui pela primeira vez. Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida... Não esqueço até hoje. Concordo com tudo o que disseste. Preconceito é o caos sim!!!