4 de fev de 2010

Uma formatura civilizada

Na contramão da história, sou talvez das poucas pessoas que apreciam a solenidade de formatura de um curso superior, principalmente quando o formando é pessoa próxima. Falei que aprecio? Desculpe o lapso: “apreciava” seria o termo correto. Há algum tempo, desde que as formaturas, pelo menos em Pelotas, se transformaram em espetáculo circense ou prenúncio de Carnaval, de apreciadas passaram a verdadeira tortura.

Primeiro, porque não começam na hora, muito pelo contrário, embora a gente se obrigue a chegar cedo, se quiser encontrar lugar. Depois, por terem se tornado extremamente cansativas, sem tempo para acabar, com discursos extensos, e o costume agora instaurado de pai, mãe, esposos ou esposas, filhos (inclusive bebês), namorados ou namoradas, avós, às vezes irmãos, vários desses representantes subirem ao palco, junto com cada formando, fotos pra cá e pra lá. Considerando a grande quantidade de formandos, a gente não acredita que vai ser submetido a tamanho pesadelo, em nome da amizade.

Parece horrível? Fica pior, quando se está num ambiente sem ar condicionado, por 4, 5 horas, no calor de dezembro ou janeiro, os homens de terno e gravata, como pede a ocasião.

Aí começa a formatura. Cada formando é saudado com gritos, apitos, buzinaços, estouro de balões, por parte de seus amigos na platéia. Impossibilitados de ouvir o que é falado no palco, os convidados, transpirando dentro dos trajes festivos, sorriem amarelo, contando os minutos para acabar.

Esse é o quadro atual, em Pelotas. Assustador ao ponto de, ao entregar o convite, o formando liberar o convidado da “solenidade”: pode ir direto para a festa.

Mas eis que, em janeiro, fomos convidados para a formatura do curso de Direito da FURG, na cidade de Rio Grande. Por ser na cidade vizinha, o convite foi explicito: não havia necessidade de comparecimento, pois a festa seria em Pelotas, em outro dia. Só que desejamos comparecer, por ainda considerar que, tanto na história do formando, como na de seus pais e familiares, esse momento é importante.

Surpresa! Em Rio Grande, na FURG, a Colação de Grau é realmente uma solenidade bonita, importante, civilizada.

Começa pelo ambiente, o auditório da FURG, com ar refrigerado e cadeiras confortáveis, fechado até 30 minutos antes do horário marcado, 18 horas. Quando as portas se abrem, a primeira sinalização de ordem é enviada: não se pode entrar com bebidas, nem refrigerantes.

Às dezoito horas e três minutos, pasmem! a cerimônia começa. E começa com a fala da presidente da mesa, estabelecendo as regras: não serão permitidos gritos, apitos, etc.

Na continuação do cerimonial, os familiares dos 82 formandos não sobem ao palco, embora seus pais sejam citados (nesse momento, eles se levantam, na platéia); fotos são sacadas, sem as interrupções costumeiras para as poses; discursos dos representantes das duas turmas, diurna e noturna, e de seus paraninfos obedecem aos poucos minutos regulamentados; em nome de todos os formandos, uma bacharel presta significativa homenagem aos pais, antes pedindo que eles se ergam para receber a homenagem. Ao final, a presidente da mesa agradece o comportamento exemplar da platéia, que lotou o auditório e o outro salão reservado para o evento, esse também com ar condicionado e telão.

Às vinte horas, como era previsto, a formatura acaba. A FURG soube prestigiar seus formandos, oriundos de vários estados brasileiros, e seus convidados, dando uma aula de civilidade e organização. Um exemplo a ser seguido.

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