28 de dez de 2010

Agruras de viagem



Após algumas viagens, acredita-se dominar o assunto “organização de malas”. Até que se programa um cruzeiro de retorno ao Brasil, a partir de Savona, na Itália _ “ e quem sabe vamos alguns dias antes, para curtir Milão e Veneza”?

Envolvidos pelas atividades cotidianas, deixamos o assunto “bagagem” para a véspera da partida, quando nos apercebemos de que o roteiro incluirá todas as estações, com frio intenso na Itália, diminuindo à proporção que o navio avançar, culminando com o calor de dezembro, na costa brasileira. Isso sem falar nos 18 dias a bordo do transatlântico Costa Serena, exigindo trajes informais e sociais, além dos apropriados para piscina e para a academia, todos com os respectivos calçados.

Apesar da boa intenção, logo a mala fica cheia e pesada. Conforme coloco alguma peça, sou obrigada a retirar outra.

Até a chegada ao Doria Grand Hotel, em Milão, a bagagem (cada um com uma mala média e a mochila)está ótima. Ao embarcar no trem para Veneza, o peso das malas começa a incomodar. Observamos que a maioria dos passageiros leva apenas malas de mão, o que seria impossível no nosso caso, em virtude do tipo de viagem.



Para piorar, desembarcamos em Mestre, ponto até onde a agência havia comprado passagens. Ao perceber que não é a Estação Santa Lúcia, final da linha, adquirimos os bilhetes, rapidamente, e corremos para o trem que já chega. Os maridos, esfalfados mas gentis, se revezam para alçar as malas, mais uma vez.



Chegando à estação ferroviária de Veneza, pegamos o “vaporetto”, desembarcando logo que enxergamos a primeira placa “”Rialto”, que sabemos ser o nosso destino. Perguntamos o caminho para o hotel e o homem nos indica uma enorme escadaria, que corresponde à ponte Rialto.



Custamos a crer que precisaremos subir todos aqueles degraus, puxando as benditas malas. Mas lá vamos nós, aos solavancos, agradecendo a boa qualidade das ditas, por não se desmancharem pelo caminho. No topo da ponte, um suspiro de alívio e a retomada do esforço, na descida, agora as malas à frente, fazendo “blum-blum-blam”, valorosas.



Vencida essa etapa, seguimos a caminhada, solicitando informações sobre o endereço.



Encontramos outra ponte, ultrapassamos a segunda escadaria, as malas sempre aos trambolhões. Após alguns minutos, encontramos o Hotel Centauro, escolhido pela localização, no Campo Marin, próximo à Praça São Marcos.



Ao reservar o hotel, em italiano, receosos de que “apartamento standard”, em Veneza, não correspondesse ao mínimo de conforto, apressamo-nos a solicitar “um apartamento superior”. Na ocasião, o encarregado garantiu que, nesse caso, reservaria um apartamento “com vista para o canal” _ o que pareceu romântico. Mais tarde, acharemos graça na
necessidade de "vista para o canal" numa cidade como Veneza, onde o que não faltam são canais.

Chegados ao hotel Centauro, descobrimos que “superior”, em Veneza,significa terceiro andar, sem elevador e sem carregador. Cada casal resolve deixar uma mala embaixo e, refeitas as malas, lá vamos outra vez, puxando a mala sorteada pela escada antiga, de madeira, degraus estreitos.

No dia seguinte, ao caminhar nas proximidades do hotel, entenderemos a trapalhada: descemos do “vaporetto” na margem oposta do Canal Grande, que divide Veneza em duas partes, ligadas por três pontes, e no outro extremo da cidade. A Estação Rialto onde deveríamos ter desembarcado fica próxima ao nosso hotel, realmente bem localizado.
A volta, portanto, será mais tranquila.





Ao final, os percalços valem muitas risadas e a certeza de que bagagens e roteiros precisam ser coerentes. Mas Veneza é linda e merece uma próxima crônica.

martafscosta@gmail.com

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