24 de jan de 2012

Sem querer bater na mesma tecla



No final de novembro de 2010, fizemos um cruzeiro de retorno ao Brasil, no transatlântico Costa Serena. Escrevi, na ocasião, uma crônica em que externei grande aborrecimento com a experiência, muito diferente de todas anteriormente vividas. É provável que, para algumas pessoas, o relato tenha parecido exagerado. Eu mesma me questionei, primeiramente ao me aborrecer, depois ao assumir a responsabilidade de publicar a crônica. Contudo, a circunstância de haver animado muitas pessoas a realizarem cruzeiros marítimos me colocou na obrigação de relatar, quando tive a primeira experiência desagradável.

Voltou-me tudo à lembrança, ao saber da tragédia vivida pelos passageiros do Costa Concorde, da mesma linha e do mesmo tamanho do Costa Serena. Verdade que, em nenhum momento, quando em pleno oceano, imaginei que pudéssemos sofrer um naufrágio. Mas, se não receamos, foi por ter conhecido a cabine de comando de outro transatlântico, quando o comandante discorreu com entusiasmo sobre a segurança dos navios modernos, em razão da tecnologia avançada, podendo detectar outros navios ou acidentes geográficos, a grande distância.

É óbvio que tragédias podem ocorrer e ocorrem, independente das medidas de segurança tomadas; erros humanos acontecem, inclusive conosco, apesar da determinação em fazer tudo pelo melhor. Ninguém está livre, em momento algum. Mas damos lugar pro azar, quando ignoramos regras básicas.

Neste blog, clicando na seção De Mala e Cuia, é possível encontrar as crônicas publicadas em 2010. Naquela ocasião, os contratempos começaram no check in, que se estendeu por horas, pela escassez de funcionários para atender aos 3.780 passageiros. Em vários cruzeiros anteriores, em outras companhias, o check in se processara de forma rápida e organizada, sempre despertando elogios. No Costa Serena, os incômodos continuaram pelos 18 dias da viagem, até chegar ao porto de Santos, onde desembarcamos, muitos passageiros tendo deixado comentários desabonadores na avaliação geralmente solicitada pelo navio.

Fazendo uma análise dos inconvenientes vividos, chegamos a algumas conclusões sobre itens a ser observados, ao contratar um cruzeiro marítimo, a relação entre o número de passageiros e o de tripulantes sendo das mais importantes, por determinar o bom atendimento e a manutenção adequada do navio.

O naufrágio do Costa Concorde prestou um desserviço a todas as companhias marítimas, colocadas no mesmo embrulho, pelo pânico generalizado. Mas isso é tão insensato como deixar de viajar de avião, pelas tragédias ocorridas, ou aposentar o automóvel, após um acidente; desistir do ciclismo, porque o primo caiu e bateu com a cabeça, quando vinha em alta velocidade e estava sem capacete; olhar com cara feia para o cavalo, por saber que uma queda pode ser fatal.

Os apreciadores de cruzeiros marítimos continuarão usufruindo desse prazer, os mais cautelosos procurando se informar sobre as condições de segurança e conforto proporcionadas pelas diferentes companhias. Em contrapartida, sob o impacto desse acontecimento, é imperativo que todas as companhias revisem os seus valores, colocando em primeiro plano as vidas humanas sob sua responsabilidade.

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