23 de ago de 2005

De gatos e de lareiras

Escrevi que, o desprevenido pode levar um susto, ao ver a fumaça constante saindo pela chaminé da lareira. Ao escrever, lembrei o que ocorreu, quando nos mudamos para uma casa exatamente ao lado do Corpo de Bombeiros. Na primeira vez em que colocamos um fogo forte na lareira, logo ouvimos enérgicas batidas na porta da frente. Aberta a mesma, deparamos com vários bombeiros, prontos para entrar em ação. Foi enorme o seu alívio, ao depararem com o fogo crepitante que não precisariam extinguir.
Lareiras podem ser atraentes ao ponto de provocar visitantes inesperados, como o gato que se esgueirou pela porta entreaberta (aquela mesma onde os bombeiros estiveram)e se colocou na prateleira mais alta da estante de livros - ao lado da lareira, naturalmente. Quanto tempo ele ficou lá ninguém sabe, mas pelas tantas alguém chegou em casa, sentou na sala, olhou pra cima e “Oh, um gato aqui!”. Foi um estardalhaço: em território de cão pastor-alemão, gato é inimigo a ser espantado com presteza.
Impedida a entrada do cão, o passo seguinte era a retirada do gato. Tal tarefa coube ao chefe da família, pois a chefa amava cães, mas temia gatos, por algum trauma de infância, decerto.
A essa altura dos acontecimentos, já se descobrira que o gato pertencia à vizinha, que não estava em casa, e era furioso ( o gato, não a vizinha). Assim ele parecia, os dentes à mostra, as unhas em riste, ameaçador
Mas o homem se aproximou com jeito, falando palavras macias, dirigidas a ele e à aflita platéia, já acrescida dos meninos chegados do colégio. Após um longo tempo, o homem estendeu a mão e segurou o gato com tal carinho que ele se aninhou ao peito desconhecido e consentiu em voltar para a sua casa.
Foi-se o hóspede inesperado, que por algumas horas buscou o aconchego da nossa lareira , quem sabe desejando a companhia humana.

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