1 de abr de 2006

Garra e criatividade

A mulher conta que estava difícil conseguir emprego como doméstica, por isso experimentou fazer pastéis para vender e ela mesma se surpreende com a aceitação do seu produto. Ao se aposentar, a professora aproveitou o espaço da churrasqueira desativada para organizar o curso de inglês e logo preencheu as vagas dos diversos turnos. A jovem recebia tantos elogios pelas sobremesas que gostava de fazer, que resolveu aceitar encomendas e breve inaugurou um ponto comercial.

Outra se viu, de repente,sozinha em casa. Cozinhar só pra ela, que chato. Gostava de preparar receitas novas, elaborar enormes travessas com bifes à milanesa, cozinhar um panelão de feijão com lingüiça e costela de porco; divertia-se à beira do fogão como outras em shopping centers. Experimentou almoçar em restaurantes, mas logo cansou. Colocou um anúncio na porta da casa: “Servem-se viandas, aceitam-se encomendas”. Chegou o primeiro cliente, depois outro, mais um; logo possuía vinte e cinco, apreciadores do seu tempero caseiro.Mais não aceita, para o trabalho continuar sendo diversão.

Causa admiração a criatividade de certas pessoas. Melhor dito, a garra com que criam as suas oportunidades.

No outro extremo, há queixa generalizada de falta de empregos e oportunidades. Além disso, inúmeros trabalhadores, após conseguirem o sonhado lugar no mercado de trabalho, logo mudam o teor dos queixumes, passando a criticar o horário, a baixa remuneração, o excesso de exigências. Apesar dos inconvenientes, poucos têm a audácia de se tornar o seu próprio patrão, aventurando-se num negócio próprio, com os riscos implícitos.

Pessoas de sucesso exploram as suas próprias potencialidades, partem do que apreciam ou sabem fazer bem, descobrem nichos inexplorados, estão atentas às solicitações do mercado consumidor.

Como a dona da butique que também presta assistência na organização do guarda-roupa das clientes, quando solicitada a sua intervenção:aconselha sobre as possíveis combinações no vestuário, sugere acessórios renovadores, separa o descartável a cada estação; indo além da função de simples vendedora, garante a fidelidade e confiança da cliente.

Semelhante à atitude das duas donas-de-casa que, aproveitando as suas aptidões, prestam serviço de organização da vida doméstica para outros profissionais, esses sem tempo para cuidar da casa: fazem as compras da semana, arrumam armários e guarda-roupas, pregam botões, restauram bainhas em calças e vestidos, levam e trazem eletrodomésticos do conserto, pagam crediários, vão a bancos. Imaginaram que homens solteiros apreciariam seus serviços e descobriram que muitas mulheres também pagariam para tê-los.

Ainda que algumas iniciativas possam parecer modestas, à primeira vista, todas têm possibilidades de crescer e se expandir, se conduzidas com garra e criatividade.

“Na crise, crie”, é o conselho sensato. Mas, além de sonhar, é necessária a capacidade de colocar mãos à obra. Quem a possui, jamais se queixa de falta de emprego ou oportunidades.

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