17 de jul de 2006

Lisboa, uma quebra de paradigmas

Viajar é abrir a mente para a compreensão de outras culturas, estabelecer comparações nem sempre favoráveis a nós. Quebrar paradigmas, também. Como perceber o progresso de Lisboa, a recuperação de sua beleza, restaurados os velhos prédios e monumentos, graças à injeção monetária ocasionada pela inclusão no mercado europeu.

Logo à chegada, ainda no aeroporto, percebo a perda dos óculos de grau. Ainda bem que o Dr. Fernando Lucchese, através do seu livro, “VIAJANDO com SAÚDE”, lembrou-me no último instante de trazer os de reserva. Pena que, na pressa da partida, não houve tempo para completar a leitura, pois decerto ele aconselharia a não inventar novidades nessa hora. Acostumada ao ato de guardá-los na bolsa após cada uso, resolvi inovar, utilizando o pregador que a amiga me presenteou com tal intenção, dessa forma propiciando a sua queda despercebida. Mas pequenos percalços fazem parte da viagem e logo esqueço a perda, encantada com a cidade que se oferece, hospitaleira.

Primo pobre, um pouco desprestigiado pelos próprios europeus, Portugal começa a ser valorizado. Nas ruas, ouvimos muito os idiomas alemão e inglês, além de observar as grandes excursões de alegres japoneses a tumultuarem o jantar e o café da manhã no hotel. Ou o pequeno almoço, como falam aqui.

Caminho pelas ruas de Lisboa, estreitando os laços com as raízes portuguesas. É como voltar à casa paterna, compreender alguns dos nossos costumes, encontrar similaridade nos vocábulos utilizados. Pegamos um táxi para quatro pessoas e o motorista/guia determina o roteiro ideal, que depois refaremos com mais calma. Por cinco euros, compraremos dez passagens de metrô e nos deslocaremos com facilidade entre um ponto e outro.

Antes de partir, quando questionada sobre o nosso destino, notava certo desencanto no interlocutor, como se devesse ter preferido outro roteiro. No livro sobre Portugal, encontro a resposta: “Quem passa dois dias em Lisboa, não volta; quem passa dez, voltará sempre”. É a velha máxima: para amar, é preciso conhecer.

Para nós, brasileiros, aqui tudo é muito caro, roupas e sapatos a preços proibitivos, tanto nas lojas da rua Augusta, a mais sofisticada, como em El Corte Inglés _ enorme magazine espanhol _ ou nos shoppings Colombo e Vasco da Gama, esse também porta de entrada para o Parque das Nações, local da última exposição mundial do século XX, realizada em 1998. Mas não penso em compras, nesta viagem. Embora possa mudar de idéia: afinal, saí decidida a tirar férias da escrita e já estou aqui, anotando as minhas impressões.

Crônica publicada no jornal Diário Popular, em 23 de maio de 2004, como Impressões de Viagem I

3 comentários:

Ruthe disse...

Marta!

Quem visita portugal, adora! quem sabe um dia ainda chego lá!

ruthe

Anônimo disse...

ADOREI A TUA IDEIA. CREIO QUE TENHO OS RELATOS DE TUA VIAGEM MAS VOU IMPRIMIR TODOS OS DESTA NOVA SERIE PORQUE QUERO VIAJAR CONTIGO, SENTINDO AS EMOÇÕES DA MESMA.

Anônimo disse...

VIAJAREMOS JUNTAS NAS RECORDAÇÕES.
PASSAGEM COMPRADA.
Maria de Lourdes Poetsch