7 de ago de 2006

Levanta, Brasil

O gigante acordou, tentou retomar o sonho do crescimento prometido, não conseguiu. Resolveu continuar deitado, esperando o sono voltar. Como dormir, com esse barulho todo? Na televisão ligada, o repórter falava em reeleição. Aí ele entendeu a razão da insônia.

Políticos, para aparentar atividade, demonstram envolvimento em diferentes projetos e assim conseguem espaço na mídia. Mas, se espremer bem, quais os resultados reais? O que cada um fez de proveitoso para a região e para o Brasil? Parece que, salvo honrosas exceções, muito pouco. Não tiveram condições, seria o seu argumento provável. Nesse caso, por que seriam diferentes os próximos quatro anos? E se é para chegar lá em cima e pouco ou nada conseguir, por que não ceder o lugar a outro?

A cada véspera de eleição, o gigante é bajulado com promessas de todo tipo e feitio. Passado o mês de outubro, preocupe-se ele com a sua insônia. Mais amadurecido, começa a entender que o seu procedimento é que está equivocado.

Somente nas urnas, através do voto, tem valor o grito de protesto do cidadão comum. Depois, pode fazer greves, trancar estradas, queimar colheitadeiras, jogar leite no asfalto, só irá arrumar confusão e denegrir a sua imagem. A hora da negociação passou, os líderes não estão interessados nos problemas do eleitorado. Se estivessem, as pessoas teriam emprego e dignidade, em vez de depender de bolsas de alimentação; atuantes, o Brasil não ocuparia o 87 lugar na permanência na escola após a quarta série, nem os corredores dos hospitais públicos seriam depósitos de gente mendigando atendimento.

Se o eleitor tem a barriga cheia, o bolso recheado e dorme tranqüilo, melhor para ele. Mas se, como o gigante, descobriu que está sendo usado, o remédio para a insônia se chama Mudança. Para que, caindo os corruptos e incompetentes, estejam alerta os que subirem ao poder. Só os que mostraram serviço merecem o prêmio da reeleição.

Neste momento, o poder é do povo. É hora de buscar informações, tirar referências de candidatos a presidente da república, deputados e senadores, como se faz com o candidato a emprego. Saber quem teve as portas abertas, o ouvido atento e a voz forte, para representar a classe produtiva. Lembrar quem roubou, boicotou CPI, votou contra os nossos interesses ou deixou de comparecer, no dia da votação, para não se expor. Saber quem dançou, comemorando a vitória da falta de vergonha, e quem sorriu, apertando as mãos destruidoras de vinte anos de pesquisa.

É hora de olhar os currículos dos candidatos, como se estivessem à nossa frente, pedindo emprego. Olhar e pensar muito, porque, depois de colocado o voto na urna, o poder escapou de nossas mãos.

O gigante já não dorme. Deitado em berço esplêndido, sonhou que era o país do futuro. Acordou com fome, assustado com o barulho dos tiros e histórias de violência, corrupção e seqüestros; descobriu que continua no terceiro mundo, marginalizado e desrespeitado aqui dentro e lá fora.Envergonhado, aterrorizado, subnutrido, ignorante, contabiliza suas perdas. Descobre que a sua força é o repúdio do povo, manifestado nas urnas.

2 comentários:

Ruthe disse...

Marta!

Há muito tempo que o GIGANTE não dorme, com tanta safadeza. Depois ele sabe, apesar de seus apelos, de que, são todos bonzihos, cheios de planos, para melhorar "tudo", mas no fim...É uma lástima dizer o que vou escrever, mas acredito que teremos que procurar nosso candidato na TERRA DA FANTASIA!

Sergio disse...

Opa!
É bem por ai mesmo. Quanto mais formos aqueles que mostram, melhor para o conhecimento de todos.