21 de fev de 2007

Um pouco da Ásia - parte XV I- Ilha de Sentosa



À tarde, desejando conhecer A Ilha de Sentosa, também chamada Ilha da Paz ou da Tranqüilidade, embarcamos no teleférico, cujo tíquete custa dez dólares de Cingapura. Outra opção teria sido ir de ônibus de turismo até o World Trade Center,para lá pegar o ferryboat e fazer a travessia, mas preferimos essa.

Ultrapassamos diversas estações; passamos sobre o bosque de nove hectares, localizado no centro de Cingapura, onde vemos copadas e altas árvores e os flamboyants de diferentes matizes; depois, observamos as praias repletas de pessoas.

Sentosa, além dos luxuosos resorts e campings, alberga em suas dependências um enorme complexo de lazer e cultura. Esse, além do espetacular aquário, dotado de uma esteira rolante que conduz o visitante pelo seu interior, podendo admirar mais de cinco mil espécies marinhas, também proporciona a prática de esportes aquáticos, além das pistas para ciclismo e campos de golfe. Considerada uma atração sintética, pois é toda construída pela mão do homem, a peso de muito dinheiro, Sentosa não decepciona aos turistas. Há distrações suficientes para o dia e a noite, se for essa a idéia. Muitas atrações exigem ingressos extras e o total pode ficar acima do desejado, se a pessoa se interessar por diversas. Nesse caso, é interessante adquirir o pacote completo. A nossa intenção, contudo, é apenas uma rápida visita e assistir ao Show das Águas Cantantes.

Descemos na quarta estação e vamos ao Club Islander, bar à beira da água, sobre um tablado de madeira.

Próximos a nós, alguns tomam banho, outros descansam ou jogam futebol; há inúmeras barraquinhas de vendedores de sorvetes, refrigerantes, sucos naturais e artigos do artesanato local. As pessoas usam chapéus de diversos estilos, um modelo atrai a minha atenção, por se transformar em leque. Mas não pretendo comprar outro. Já comprei um, que esqueci no ônibus da nossa excursão e depois não encontrei. Continuo sem interesse em compras, ainda bem. Mas, se pudesse, gostaria de guardar na retina todas as imagens.

Impressiona a demonstração de poderio econômico. Tudo é construído pelo homem: a praia foi aterrada; a areia, importada da Indonésia.

O sol se põe no horizonte, parece uma bola de fogo. É hora de assistir ao Show das Águas Cantantes, grandioso espetáculo de luzes, com holografia de figuras e a dança das águas, ao compasso da música.

Uma multidão assiste ao show e começamos a ficar preocupados, imaginando o congestionamento que será o retorno ao centro da cidade, pois esse pessoal todo precisará voltar às suas casas e hotéis.

O show dura cerca de uma hora. Pouco antes de terminar, levantamos e tentamos nos conduzir para a saída, procurando não atrapalhar as pessoas ainda sentadas em cadeiras ou na grama. O deslocamento é lento, principalmente porque paramos a cada passo, para assistir a mais um pouco do maravilhoso espetáculo.

Quando o mesmo acaba, a multidão se ergue e nós, rápidos, preferimos o rumo contrário ao tomado por ela. Não entendo o motivo da decisão, mas obedeço sem pestanejar, quando me indicam o caminho a seguir, desejando que os companheiros saibam o que estão fazendo. De qualquer forma, o meu senso de direção nunca foi grande coisa mesmo.

A pressa toda tem sua origem no fato de não podermos perder o teleférico, que é o último da noite. Corremos,subimos escadas, seguindo um decidido casal à nossa frente e, decepcionados, nos encontramos em pleno estacionamento dos automóveis, vendo-os embarcar no seu e partir.
Às risadas, lembramos a anedota verdadeira do sujeito distraído que seguiu outro a ponto de quase entrar com ele na garagem; por pouco não embarcamos com o casal no seu carro particular.

Quando estacamos, no estacionamento, e fazemos meia volta, voando, damos de cara com dois jovens norte americanos, que vinham no nosso encalço, à toda, convencidos, pela nossa determinação, que conhecíamos o caminho. Quando percebem o engano, também voltam, na mesma rapidez. Logo nos ultrapassam, mas seguimos a pouca distância.
Quando, já sentados, eles nos vêem embarcar no monorail, olham para nós e riem, felizes, como a dizer: _ Todos conseguimos.

Fomos os primeiros a chegar. A multidão chega logo depois.

Ao desembarcar, pegamos um táxi e vamos ao Penny Black’s Bar, parte do conjunto de bares à beira-rio, ao ar livre. Na outra margem, vemos os edifícios iluminados do The Fullerion Hotel, a torre com o relógio, a cúpula da igreja. Os olhos se detém em uma imagem, lentamente passam para outra, o espetáculo proporciona uma sensação plena de beleza e paz.

Enquanto barcos passam, iluminados com luzes vermelhas, faço anotações à luz de uma lamparina a óleo, colocada sobre a mesa.

À noite, outro programa sugerido é o passeio de trishaw pelas ruas dos bairros chinês e indiano. No roteiro turístico, esse programa costuma ser seguido de jantar no famoso East Coast Restaurant.

Também é deslumbrante o passeio pela Orchard Road, observando os edifícios iluminados em tons dourados.

Os trinta e sete mil cães registrados em Cingapura possuem microchips implantados, para que os animais possam ser identificados rapidamente, por meio dos sensores eletrônicos. Mas não vejo cães nas ruas de extrema limpeza. Contudo, a idéia seria interessante para algumas cidades brasileiras, onde a população canina abandonada à própria sorte cresce de maneira assustadora.

O grande desafio da próspera Cingapura, no século XXI, é conservar sua própria identidade, principalmente em relação aos valores asiáticos. O cingapuriano moderno demonstra excessiva preocupação em ganhar dinheiro e ser o número um, com a adoção de padrões do comportamento ocidental. Por essa razão, voltam a ser incentivadas as tradições e a cultura chinesa, através de festivais e cerimônias seculares.

Inclusive, aos domingos, entre as oito e as doze horas, nas esquinas das ruas Tiong Bhane e Seng Poh, há concurso de cantos de pássaros, animais de estimação preferidos dos asiáticos.
Cingapura, afinal, se revelou esplêndida surpresa, cidade com muito a proporcionar e encantar. Partimos com certa ponta de tristeza, novamente com a sensação de que seria ótimo voltar, algum dia. Aliás, este é um sério problema: sempre acho que faltou muito para ver e compreender.

Um comentário:

Anônimo disse...

Marta!

Quanta beleza, diversidade,emoção, alegria para os olhos e para a alma!
É grande minha felicidade em saber que viste e sentiste tudo isso, e que ainda verás muito mais, por este mundo maravilhoso!

Beijos Ruthe