22 de ago de 2007

Um passeio pela Colônia do Sacramento

A estrada que liga Montevideo a Colônia do Sacramento, numa extensão de 170 km, é quase toda em duas vias, muito bem cuidada, a relva aparada nos canteiros laterais.
Uma avenida de ciprestes, logo continuada pela extensa avenida de palmeiras, conduz à entrada da Colônia do Sacramento.

A Posada del Governador, reservada pelo telefone, fica na Av. 18 de Julho, bem no início do Bairro Histórico. A Posada é simpática, atendida só por mulheres. O apartamento é confortável, aconchegante, cama “King size” e banheiro minúsculo. A calefação só é ligada algumas horas durante a noite, decerto porque a pousada, no meio da semana, tem apenas dois apartamentos ocupados. Mas os quartos têm ar condicionado, o que não é tão agradável, em virtude do barulho, mas ajuda a espantar o frio.

Em 1995, Colônia do Sacramento foi declarada Patrimônio Histórico da Humanidade,pela UNESCO. Fundada em 1680, pelo governador do Rio de Janeiro, Dom Manoel Lobo, por determinação do Príncipe Pedro II de Portugal, com a intenção de garantir o posto estratégico de defesa, na costa setentrional do Rio da Prata, foi motivo de sangrentas e constantes lutas entre as coroas portuguesa e espanhola, que se alternavam na posse, conforme uma ou outra vencesse a disputa.

Essa alternância de nacionalidades é a responsável pelo ar romântico e peculiar do Bairro Histórico. Muitas construções foram destruídas a mando do general espanhol Pedro de Cevallos, em 1777, antes que, através do Tratado de Santo Ildefonso, Portugal reconhecesse os direitos da Espanha sobre toda a região.

Caminhamos sem destino pelas ruas estreitas, calçadas com pedras de forma irregular, com esgoto central. Grande parte das casas foi construída com pedras, algumas de origem portuguesa; outras, espanhola. As portuguesas possuíam telhados com duas e quatro águas, janelas com grades de barras quadradas e um arabesco no centro; as espanholas tinham telhado de cobertura e as grades das janelas com barras redondas e lisas. O reboco era de argila e as cores principais eram o rosa e amarelo, extraídos das raízes de plantas.

Escavações realizadas às margens do rio permitiram a descoberta das ruínas da muralha da antiga fortaleza colonial, por onde começamos o passeio. Hoje restaurados, a porta e a ponte sobre a fossa, os pilares de pedra, o forte e os muros constituem ponto turístico. Sua ponte levadiça era a única porta de acesso a Colônia.

Uma muralha que ia de costa a costa, bordejada de uma fossa seca de trinta metros de largura, protegia a cidade dos ataques por terra firme. Essa muralha foi destruída, em 1859, para favorecer o crescimento da cidade.

No Baluarte de São Miguel, onde os portugueses projetaram um posto militar, pode-se ver toda a cidade antiga e diz-se que, em dias luminosos, é possível vislumbrar “longínquos perfis” de Buenos Ayres, na outra margem do Rio da Prata.
Colônia do Sacramento possui muitos museus, repletos de preciosidades. Mas o melhor é caminhar pelas ruas percorridas pelos nossos antepassados portugueses e espanhóis, ver o sol morrer nas águas do rio, respirar a história entranhada nas paredes de pedra. Bom mesmo é sentir a paz que a Colônia agora transmite.

Bibliografia: La Colônia del Sacramento, de Agrigento Ediciones.

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