27 de dez de 2007

Faltou a inspiração

Faltou inspiração para a crônica de Natal. Leitores e familiares cobraram, desejosos de conhecer o meu posicionamento, já que a data desperta ânimos e opiniões contraditórias. Coisa que não era comum, agora alguns cronistas já se sentem encorajados a questionar a data, talvez por se sentirem apoiados pelos escritores cujos best-sellers incendeiam os espíritos.

Questionamentos aparte, o Natal tem um significado especial para mim. Não sei se Cristo nasceu na manjedoura, se era o filho de Deus ou um revolucionário idealista; nada me importa a virgindade de Maria, nem outros conceitos que a religião quis tornar relevantes; importa-me muito, e sempre, o ser humano.

Por isso, nessa data, procuro fazer a minha parte, plantando as sementinhas de amor e paz que desejo ver frutificadas.

Para começar, aqui em casa o jantar de confraternização é dia 25. Assim, cada um passa a noite de 24 onde quer, as famílias não entram em disputas, nem precisam os casais correr de uma casa para outra, carregando crianças sonolentas, sem apreciar cada reunião.

Numa crônica tristonha, alguém expressou que Natal é uma data em que familiares que não se viram todo o ano acham que precisam se reunir. Justamente por acreditar na mensagem de confraternização e solidariedade, o nosso Natal é a reunião de amigos e familiares com lugar garantido no coração. Ano após ano, a mesma turma se encontra, acrescida de outros que por sorte estejam em visita à cidade. A turma é grande, barulhenta e heterogênea, com idades entre cinco e noventa anos. Vêm amigos dos filhos, alguns com as namoradas, outros já com os rebentos; também vêm velhos amigos, com seus filhos, genros e netos, numa miscelânea de gerações e assuntos entrecortados.

Engraçado que - pela preocupação em enfeitar a casa, organizar o jantar, preparar as sobremesas, pensar numa lembrança para cada um, embrulhar todas – os convites demoram a ser feitos e alguns, nessa confusão, são esquecidos; aí os costumeiros participantes começam a telefonar, perguntando se vai haver o jantar. Na véspera, a cunhada revela que não foi avisada, soube por outro, mas toda a família vai comparecer. Como os seus nomes eram dos primeiros da lista, imagino com quantos terá acontecido o mesmo, desejando que todos tenham a mesma magnanimidade com a atrapalhada anfitriã.

Pouco antes do horário marcado, a dona da casa acredita num banho para restaurar as forças – quem sabe um Tylenol também ajuda. Na véspera, cancelou a manicure e a cabeleireira, depois anotou na agenda “mais organização para 2008”.

Os convidados começam a chegar. Tem gente que chega sem o presente do Amigo Secreto, queixando-se de que não foi avisado da brincadeira, então alguém descola um presente na hora, passando para trás outro que ia receber duas camisas.

Tudo se ajeita, pelo prazer do encontro com cada um e com todos. Preso às flores enviadas pelo jovem casal, o desejo expresso: “Que neste Natal encontremos tudo o que procuramos! Amizade, paz, solidariedade e muitas festas cheias de amigos e recheadas de muito amor”!

É esse o espírito do nosso natal. Por isso, perdoe o leitor se me distraí vivendo e não pude escrever a crônica natalina.

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