12 de abr de 2008

Fica o convite

Um quarto do ano já se foi, na pressa costumeira. Está mais do que na hora, portanto, de procurar aquela lista repleta de boas intenções, elaborada na euforia do 31 de dezembro último. Quando, estimulados pelos foguetes e por algumas taças de espumante, juramos a nós mesmos que esse seria um ano diferente, em que coisas importantes não seriam proteladas e em que pegaríamos sem medo todas as oportunidades que aparecessem pela frente.


Adormecemos felizes, na madrugada do dia primeiro, com a impressão de que as coisas já começavam a acontecer, só por termos conseguido organizar a lista cheia de itens.
Mas as coisas não acontecem, só porque foram colocadas no papel. Embora esse primeiro momento seja importante, por significar que determinamos as prioridades, as idéias precisam ser seguidas de ações, se queremos que se tornem realidade.
Movida por essa convicção, neste ano criei coragem para realizar alguns planos há muito adiados. Um deles era a reforma de uma peça bem no miolo da casa, circunstância capaz de proporcionar grande incômodo. Anteriormente, por diversas ocasiões, havíamos estudado projetos, consultado profissionais, mas na hora de sair do papel e pegar no pesado, desistíamos, sem ânimo para enfrentar a maratona, principalmente em virtude da localização da tal peça. Neste ano, num assomo de coragem ou insensatez, pensamos: É agora ou nunca – e fomos em frente.


Pois, a obra já vai adiantada e o resultado promete superar as expectativas. Durante dias, só escapávamos de acordar ao som das batidas comuns a toda reforma, porque tratávamos de sair da cama antes da chegada dos operários, para tomar em paz o café da manhã. Aos poucos, o barulho foi diminuindo ou deixamos de ouvi-lo, mais interessados nos resultados que começaram a aparecer, prometendo a realização de um velho desejo.


Na vida, tudo tem seu preço. Por isso, ao se fazer qualquer plano, os inconvenientes precisam ser considerados. Animados pela perspectiva de concretizar algum sonho, é comum esquecermos os transtornos que poderá desencadear. Algumas vezes, os transtornos são tão grandes, que o sonho se transforma em pesadelo. Obras, por exemplo, podem causar grandes aborrecimentos, quando mal programadas e conduzidas, extrapolando as previsões financeiras ou os prazos de entrega. Inúmeros casamentos, inclusive, desmoronam na ordem inversa à construção da casa, sobrando na página dos Classificados “um imóvel sem uso”.


Da mesma forma, todos os sonhos e planos têm embutida a sua carga de estresse, trabalho duro e aceitação dos inconvenientes. O emprego que oferece melhor salário pode exigir maior esforço intelectual ou disponibilidade de tempo; a melhor qualidade de vida pode significar menos dinheiro no bolso ou maior distância a percorrer, todas as manhãs, da casa ao trabalho; cada decisão exige a aceitação da situação como um todo, não só da parte que nos seduz.


Então, nesse ano que vai a galope, levando a gente de qualquer jeito, o convite é pra parar e pensar: Cadê a lista cheia de boas intenções? É possível realizar algum plano? Completar aquele trabalho? Modificar o que não agrada? Ou a idéia é refazê-la igualzinha, ano após ano, pra podermos continuar nos queixando ou culpando alguém?

4 comentários:

Ruthe disse...

Querida Amiga!
Culpar alguém, jamais, pois somos responsáveis por nossa vida. Cada atitude que tomarmos desencadeará em uma ou múltiplas situações, porisso o "bom senso" deve ser acionado.
Planos devem ser bem elaborados, para que não acabem em "sonhos". Sonhar é bom, mas às vezes acabam em frustrações...Cuidado!
Beijos

Hilly disse...

Prezada Marta,

Adoro suas crônicas, leves, introspectivas e diretas e que tratam do nosso cotidiano. Esta trata, no jargão "técnico-atual", de planejamento e atitude, sem medo de errar ou, se errar, com o risco calculado (assim como, imagino que seja isso mesmo).
Parabéns! Siga em frente!
Gostaria de ter sua apreciação no meu blog www.josenei.blogspot.com

Marta disse...

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Espero que dê certo.
Um abraço da Marta

Anônimo disse...

Marta, o que as grandes e puras afeicões tem de bom é que, depois da felicidade de ler seu artigo no Jornal A Platéia, ainda há a felicidade de senti-la.
Gosto do seu silogismo.
Aceite meu fraterno abraço.
Potoko
Membro da Academia Santanense de Letras