31 de jan de 2009

As Ilhas Falkland ou Malvinas - Cruzeiro pela Terra do Fogo e pela Patagônia



Após um gostoso dia em alto-mar, chegamos a Port Stanley, capital das Ilhas Falkland, nomeadas Ilhas Malvinas Argentinas, no mapa comprado em Buenos Ayres. O serviço de informação do Celebrity Infinity, navio em que fazemos um cruzeiro pelo extremo sul do continente, alertou sobre as dificuldades de acesso à terra firme, mas o desembarque é tranqüilo, realizado em lanchas com capacidade para 150 passageiros.

Aliás, é de gabar o entusiasmo dos estrangeiros, de modo geral: com a maior naturalidade, desembarcam casais idosos e até um senhor em cadeira de rodas, sozinho, ele mesmo manejando a sua cadeira, auxiliado apenas para chegar à terra firme.


Port Stanley, a capital menor e mais remota do mundo, com população de 3.000 habitantes, é uma das várias ilhas que compõem o arquipélago das Falkland, situado no Atlântico Sul, pertencente ao Reino Unido, o inglês como idioma oficial. As Ilhas Falkland ou Malvinas são uma extensão natural da Patagônia, distantes da costa 400 milhas. O porto, descoberto pelos ingleses e considerado ponto estratégico, foi muito utilizado durante a primeira guerra mundial. Com exceção dos dois meses em que esteve sob ocupação argentina, esteve continuamente sob administração britânica.
Atualmente, além de proporcionar a exportação da gordura de foca, da lã e do couro das ovelhas, o porto é muito apreciado para o turismo. Cerca de 37 companhias marítimas proporcionam cruzeiros por essas águas, algumas rumo à Antártica.

Port Stanley é uma cidade ao estilo inglês: bem cuidada, limpa, com a catedral, o edifício governamental, o trânsito com a mão esquerda. Os telhados das casas são de metal em cores variadas: vermelhos, azuis, verdes, marrons.

A moeda local é a libra das Ilhas Falkland, com o mesmo valor da libra esterlina, aceita em todo território, como o dólar americano e o euro.

A pesca, o turismo e a agricultura são os principais responsáveis pela economia das ilhas. Até a década de 1980, com a criação das zonas de conservação pesqueira, essa responsabilidade competia à criação de ovelhas. A fim de melhorar o rendimento do rebanho ovino, em 2003, foi introduzido um programa de transplante de embriões e inseminação artificial. Em 2006/2007, foi exportada a carne de 24.000 ovelhas e 12.000 cordeiros.

Contratamos o serviço de uma van, que nos leva a Gypsy Cove, a área preservada onde estão os pingüins, próxima da cidade. Lá, fazemos um percurso a pé, observando as tocas onde se abrigam. Acostumados aos turistas, a nossa presença não os afugenta. A vegetação é rasteira, mas verde; há muitas pedras. Esses são os Magellanic Penguins, espécie que se acasala e ocupa os mesmos ninhos todas as temporadas. Passam os meses de verão em climas como esse, para chocarem os ovos e criarem os filhotes. Nos meses de inverno, viajam centenas de quilômetros para o norte, em busca de comida.

Nas Falkland, as estradas precárias, justificadas pela distância de qualquer civilização cosmopolita, obrigam os particulares e as excursões a utilizarem somente veículos de tração nas quatro rodas.

A fauna da região é rica, mais de 227 espécies de pássaros foram identificados nas Ilhas.

Em consequência do conflito entre Argentina e Inglaterra pela posse do território, em 1982, conhecido como guerra das Malvinas, há 117 áreas cercadas, pela possibilidade da existência de minas. Caminhamos ao lado delas, sem receio, pois são todas sinalizadas e monitoradas.

Nas ilhas, não costumam ocorrer delitos. Há cerca de 1.500 soldados ingleses sediados na base militar Mount Pleasant, próxima ao aeroporto, a 35 milhas da cidade, e eles fazem questão de mostrar presença, sobrevoando com dois aviões de caça e um helicóptero grande.

A sensação é de irrealidade, jamais imaginei conhecer as Malvinas. É bom demais estar aqui.

5 comentários:

Ruthe disse...

O passeio deve ter sido uma beleza, com tudo perfeito, com bastante segurança e muita beleza para se admirar.

fred ribeiro disse...

Marta, fiquei admirado com tudo o que você escreveu a respeito das falklands. Já a algum tempo que eu pesquiso sobre a ilha. Mas eu gostaria de conhecer brasileiros que vivem lá, se houver. Você conhece alguma forma de entrar em contato com essas pessoas, gostaria muito de saber sobre suas experiências e vivências nesse paraíso.
Obrigado.
Meu e-mail: fredribeirodesigner@hotmail.com

tânia disse...

Visitei as Ilhas Falklands em 2008 e achei muito legal, muito organizada. Os que lá habitam valorizam e cultuam o país de origem. Existe uma casa em que o telhado inteiro é pintado com a bandeira da Inglaterra. Na época existia um pub com as cores da bandeira no chão (carpete).
As crianças ficam lá com os pais até onze anos,pois é até onde oferecem escola. Depois retornam de onde vieram e novas famílias chegam. Fui com a companhia Norwegian Dream: muito boa, embora tradicional.

Anônimo disse...

Olá! Sou estudante brasileira e gostaria de conhecer as lhas Malvinas, mas estou tendo dificuldades para obter informações sobre a viagem... você poderia me ajudar?

meu email: wila_ferreira@hotmail.com

Obrigada!

Mateus disse...

Oi Marta!

Que jóia! Sou professor universitário e gostaria muito de lecionar um tempo lá. Pelo menos um ano para ter uma experiência de lecionar no exterior. Já me disseram que existe uma universidade britânica por lá. Você conhece?

Poderia entrar em contato por: mateus.ti@gmail.com

Obrigado e um abraço!