11 de abr de 2009

E a educação?

Em Pelotas, em 2006, uma professora da rede municipal de ensino perdeu a visão no olho direito, ao ser atingida por uma cadeira, quando tentava apartar a briga de dois alunos de 8 e 10 anos.

Em 2009, em Porto Alegre, agredida por uma aluna de quinze anos, uma professora da rede estadual foi hospitalizada com traumatismo craniano.

Em Vacaria, um professor foi esfaqueado e morto, quando tentava separar uma briga entre dois alunos de uma escola técnica estadual. O agressor, com dezoito anos, foi condenado a 14 anos de prisão.

Na zona sul de São Paulo, agredida por um aluno da primeira série do Ensino Médio, outra professora teve uma vértebra fraturada.

Na zona rural de Viamão, golpeada na cabeça por uma régua de madeira de 50 cm, inesperadamente manejada por um aluno da oitava série, outra professora desmaiou.

Durante trote na Fundação Municipal de Educação e Cultura _ Funec de Santa Fé do Sul, SP, uma caloura de Pedagogia foi queimada pela colega veterana com um produto químico despejado em suas costas, precisando ser hospitalizada.

Na zona sul de São Paulo, agredida por um aluno da primeira série do Ensino Médio, uma professora teve uma vértebra fraturada. O conselho da escola determinou a expulsão do aluno.

Tanto em Porto Alegre como em Bagé, em consequencia de desentendimento banal, mães de alunos agrediram as professoras.

Esses são fatos amplamente divulgados na mídia, para consternação geral. Após os primeiros, logo outros surgiram. Quantos mais haverá, abafados?

Há cerca de trinta anos ou pouco mais, começou o movimento de desmerecer professores e educação, inclusive pelo aviltamento dos salários e o sucateamento das escolas. Na continuação, pais permissivos deram rédea frouxa a crianças que logo se transformaram em adolescentes mal-educados, hoje agressivos. Ingenuamente, alguns esperaram que a escola proporcionasse a educação que em casa não fora proporcionada; outros continuaram passando a mão por cima e, através da impunidade, incentivando os futuros infratores.

Enquanto essas notícias se avolumavam em diferentes jornais, o Correio do Povo, de Porto Alegre, divulgou a notícia de que 1.730 alunos da rede pública estadual estão tendo aulas em contêineres, repetindo experiência ocorrida em São Paulo. A precariedade dos prédios que abrigam as escolas levou a Secretaria Estadual de Educação a essa medida extrema, apesar de reconhecer a "inconveniência": no verão, a temperatura dentro das estruturas metálicas varia entre 30 e 36 graus; no inverno, a sensação térmica pode chegar a quatro graus menos que a temperatura externa.

Embora o empenho demonstrado em não desatender os alunos, é chocante ver a que ponto chegou o desrespeito com a educação, prioridade relegada a sobreviver de migalhas.

Quando professores e escolas são tratados com descaso, desconsideradas as necessidades reais e o mínimo de atendimento previsível (cadê planejamento governamental para reformas, reposição de material e salários compatíveis com a função?), entende-se como conseqüência _ embora jamais se justifique _ a atitude de alunos e pais que se acham no direito de agressão, por não terem exemplos de respeito, nem conhecerem educação.

Por seu lado, muitos professores e líderes da classe, desconsiderados, desmotivados, tomam atitudes extremistas, buscando chamar a atenção e assim ver respeitados os seus direitos. Respeito se ensina com exemplo, é bom lembrar. Extremismos assustam possíveis aliados.

De qualquer forma, o alarme soou: alunos e professores correm perigo dentro das escolas. Na confusão, a educação, que já tinha encolhido, ouvi dizer que sumiu. E agora?

2 comentários:

Ruthe disse...

Há muitos anos que a "educação"está relegada ao fim do túnel, sem esperanças de novas perspectivas. Os professores foram obrigados a recorrer a outras atividades, para poder se manterem e assim "ser professor" passou a ser "um bico" e não mais um ideal!Quem perde? Naturalmente que são os alunos! E quem se importa? Pensem e terão a resposta, sem fazer esforço!

Aline Lacava, Luciane Pinheiro, Luciane Costa, Simone Tavares disse...

Sou professora de uma Escola da rede Municipal de Ensino de Pelotas, que considero a mais inclusiva desta cidade. E, sei que cada vez mais a sociedade e a família transferem responsabilidades que não são da escola, acarretando com isso uma série de fatos tristes e alarmantes com relação a desrespeito e agressões. Mas acredito muito na educação,não naqueles que não tem coragem de mudar e se sentem fracassados e com baixa estima, mas em educadores que querem formar cidadãos , que acreitam em seu trabalho, que tem garra, perseverança e amor pela sua profissão sendo dignos dela.