16 de abr de 2009

Parece brincadeira

A jovem contou que, quando vai às compras, tem preocupação em se arrumar bem. Tive que rir, quando explicou que coloca até sapatos de salto alto. Falou que, por não ser de Pelotas, se não tomasse essa atitude seria ignorada. Se fosse conhecida, talvez não tivesse importância o modo como se apresentasse, completou.

Achei graça. Numa visão simplista, o vendedor é que deveria mostrar preocupação com o atendimento, a apresentação do produto. Ao comprador, caberia ter condição financeira para arcar com a compra.

Mais engraçado parece quando se pensa na incoerência da situação: o comércio se esmera em campanhas para atingir o público, estuda as mais audaciosas formas para atrair o consumidor; quando ele aparece, é ignorado?

A moça falou que o tratamento desatencioso tinha a ver com o fato de ser desconhecida, mas não será esse o ideal de qualquer bom vendedor: que milhares de desconhecidos entrem porta adentro, todos os dias, saiam satisfeitos e voltem muitas vezes?

Em cidades grandes, tenho observado atendimentos extremamente gentis. Em algumas padarias, é costume o oferecimento de provas de diversos produtos, quando o rapaz atrás do balcão percebe, pelo sotaque, que a nova cliente é gaucha. Alguém explicou que isso talvez se deva à concorrência, que lá é grande. A explicação, embora pertinente, me deixou pensando: numa cidade menor, como Pelotas, a concorrência não será pior, pelo fato de serem menos habitantes?

Mas, infelizmente, a jovem dessa história não está sozinha.

Em outra oportunidade, foi uma bem-sucedida dona de academia quem relatou semelhante situação: em trajes esportivos, foi ao comércio local, com a intenção de adquirir um vestido de festa e sapatos. Como estava com o horário apertado, entre uma aula e outra, não pôde se arrumar melhor _ justificou (como se precisasse). Voltou para a academia com o dinheiro na bolsa, sem o vestido e os sapatos, por ter sido ignorada nas lojas aonde foi.

Bem, aí se poderia imaginar que as vendedoras não compreenderam que a moça estava a fim de fazer compras e não desejaram constrangê-la.

Mas outra mulher conta, indignada, que também foi ignorada na concessionária de automóveis. Foi a Porto Alegre, adquiriu uma caminhonete importada e teve o prazer de levá-la para a revisão no mesmo local onde fora desprestigiada.

Já o homem, saindo da academia de ginástica, a pé, em trajes esportivos, apresentou-se em algumas concessionárias, com a intenção de decidir sobre a troca de automóvel. Foi ignorado, em várias. Em outro dia, mudou a estratégia: bem-vestido, estacionou o carro à porta das mesmas concessionárias. Foi atendido com a atenção merecida, contou, rindo.

É isso aí: no primeiro momento, a gente ri. Depois, dá pena. E não é do consumidor, que esse se vira.

2 comentários:

Ruthe disse...

Não deveria ser assim, mas é a pura realidade. No filme "Uma linda mulher" existe uma cena bem realista de como o visual é super importante!
Beijos

Dirce disse...

Concordo ...realmente a aparencia influi,mas agora o feitiço virou contra o feiticeiro:ñ são poucos os comentários de tv e jornais de pessoas com ótimas aparencias, bem vestidas de terno e gravatas,assaltando, roubando, e, fazendo barbáries então...cuidado!Infelizmente,é a realidade.