22 de abr de 2009

Puerto Montt- Cruzeiro pela costa da Argentina e do Chile




Enveredei por outros assuntos, que pareceram mais emergenciais, e quase deixei incompleta a narrativa sobre o cruzeiro marítimo, imaginando que os leitores já estivessem enjoados de tanto céu e mar. Aí a leitora falou “estou viajando contigo” e compreendi que não podia deixá-la, com a mala na mão, parada no cais do porto de Punta Arenas.

Assim, após dois dias de mar tempestuoso, chegamos a Puerto Montt. O tempo nublado prejudicou a visão das paisagens às margens do Estreito de Magalhães e dos fiordes chilenos, mas não faltaram distrações a bordo, principalmente porque o transatlântico não se abalou com a fúria do oceano, conservando-se estável.

Puerto Montt é a capital da região dos Lagos Chilenos, porta de entrada da Patagônia chilena, com população de 100.000 habitantes. O desembarque foi feito através das lanchas, com a costumeira organização.

Puerto Montt foi fundada em 1853 por colonos alemães, atraídos pela política de imigração do governo chileno. Em 1960, a cidade foi quase totalmente destruída por um terremoto. Em razão disso, a área costeira, reconstruída, apresenta aspecto mais moderno que o das cidades próximas. As casas, em estilo europeu, são todas construídas com a madeira chamada alerca, típica da região, cujas árvores duram cerca de mil anos. Na maioria das casas, a madeira foi colocada como em escamas sobrepostas, o que proporciona um aspecto pitoresco.

Chegados ao porto, logo conseguimos uma van para nos levar ao nosso destino, Puerto Varas, cidade localizada a cerca de 20 km. A estrada é boa, asfaltada.

Em Puerto Varas, estacionamos em frente ao cassino e nos conduzimos à feira de artesanato local. Há objetos em madeira, produtos em lã, especialmente alpaca e lhama, trabalhos e enfeites em prata e pedra Lazulli. A cidade é graciosa e bem cuidada, com roseiras carregadas de flores no passeio público. Há multas para quem colher as rosas.

Depois, iniciamos o percurso até o Salto de Petrohué. A idéia era ver a paisagem deslumbrante proporcionada pelo lago Llanquihue, o vulcão Osorno e a catarata, mas o dia está nublado e teremos que nos contentar com o que for possível.

Há três vulcões na região: Osorno, Calbuco e Puntiagudo _ todos encobertos pela neblina, no momento.

Durante o percurso, vemos o lago, à esquerda, e a floresta à direita. O pessoal parece preparado para o turismo, com muitos hotéis, locais para lanches e pontos de venda dos produtos locais. De repente, surge a montanha, coberta de vegetação, linda. Descemos da van e seguimos por uma trilha, em meio à floresta. Encontramos o rio, de águas verdes, inacreditavelmente transparentes. E lá está a cascata, a derramar sobre ele torrentes de água, que depois se aquietam e seguem seu caminho.
A última lancha de retorno ao navio é às 16h 30’, então voltamos para almoçar a bordo, sem provar os mariscos ou o salmão sugeridos por Victoria, a guia turística local. Chile é o segundo maior exportador mundial de salmão, principalmente para China e Japão.

Para chegar ao mar aberto, o Celebrity percorre águas plácidas que mais parecem as de um enorme lago. Agora a paisagem se mostra completamente diferente. Em lugar das montanhas aparentemente despovoadas, vemos a terra plana, cultivada. Logo o navio alcança o Pacífico, reage ao impacto das ondas fortes e segue orgulhoso, sob o sol do fim de tarde.

2 comentários:

neidemanfrinato disse...

Marta,você acredita que só agora estou conseguindo ler suas crônicas e, eventualmente comentá-las.
Pois tenho aqui ,nesse momento , um professor excelente.
Até as próximas então...

neidemanfrinato disse...

AHHHH!
Sem contar que fiquei encantada com sua viagem.
Grande abraço!