5 de set de 2009

A gente só precisava saber

Na tarde do dia em que estava sendo realizada a Consulta Popular 2009, num semáforo da Avenida Bento Gonçalves, em Pelotas, estavam sendo distribuídos folhetos com sugestões para a votação. Ao passar por ali, recebi um folheto, que lembrou a intenção de votar pela internet.

O folheto não explicava muito, mas optei pela área da saúde, porque se referia à Santa Casa, se não me engano. Mas, ao finalizar, descobri que, se quisesse, teria direito a quatro votos, e isso já complicou um pouco, pois não conhecia as propostas em detalhes. Assim, votei em outra proposta da área de saúde, em uma da educação e outra da segurança.

Depois, imbuída pelo dever de cidadã, perguntei aos funcionários se estavam com os documentos necessários e se queriam votar. Tive que explicar do que se tratava, pois não tinham a menor idéia _ embora se interessem por algumas seções dos jornais e comumente ouçam rádio e assistam à TV - mas acharam importante participar. Por sorte, os três estavam com as carteiras de identidade e com os títulos eleitorais, documento que não imaginei as pessoas costumassem levar consigo.

Fui à cabeleireira, renovar a pintura do cabelo, e, entre os assuntos costumeiros, perguntei se haviam votado. Nenhuma das quatro profissionais sabia do que se tratava, mas da mesma forma desejavam participar e estavam com seus documentos. A outra cliente tinha conhecimento da votação e já havia votado, em seu local de trabalho. Aliás, foi ela quem, com a maior boa vontade, auxiliou as outras a votarem, porque a essas alturas me chamaram para lavar o cabelo e vi que estariam melhor assessoradas por ela, que _ protegendo as unhas recém pintadas _ orientou a operação de ligar o notebook ao cabo da internet recém instalado.

Voltando para casa, o marido também se interessou em votar. Tudo isso para explicar que, num vapt-vupt, nove pessoas votaram, sem despender o menor esforço. Pessoas bem intencionadas, que por puro acaso tomaram conhecimento da importância do seu voto. Por causa do folheto que entregaram no semáforo? Um pouco por ele, com certeza, mas não somente.

Nos dias seguintes, talvez porque já estivesse interessada no assunto, comecei a encontrar referências e explicações sobre a Consulta Popular nos jornais. O Governo do Estado disponibilizou quinze milhões de reais para serem divididos entre os 28 conselhos regionais de desenvolvimento (Coredes), tendo como critério os votos manifestados. Apesar de haver aumentado em 30% o número de votantes, em relação a 2008 _ passando de 39 mil para mais de 50 mil _ o Corede-Sul se posicionou em 23º lugar, entre os 28 Coredes. Com essa votação, a Zona Sul perdeu a oportunidade de receber os R$2 milhões previstos para a região, recebendo apenas R$800 mil.

A perda dos recursos levou a questionamentos sobre o baixo desempenho dos eleitores da região e à busca de justificativas. Algumas surgirão, nenhuma melhor que a mais simples: faltou divulgar, mostrar a necessidade, especificar quais áreas poderiam ser beneficiadas.

Eu, por exemplo, só me interessei pelo folheto recebido no semáforo por ter ouvido algumas explicações sobre o assunto, pela manhã. O filho participara de uma reunião do COMUDE, em Pedro Osório, e, sabendo das prioridades em jogo, contou que conscientizara os funcionários da empresa rural, cidadãos do município, sobre a importância de votar, para isso todos devendo comparecer ao trabalho com seus documentos, no dia marcado, para votar pela internet. Tão fácil, não é? Já imaginou o efeito multiplicador, se cada um fizesse isso em sua casa e no local de trabalho? A gente só precisava saber.

3 comentários:

Ruthe disse...

Como sempre o que é de suma importância, não é corretamente divulgado - uma lástima!

Blog do Simeão disse...

Marta
Lembro quando me falastes dessa votação. Mas onde está a falha?
Por certo houve falta de divulgação pelos jornais da região. A TV nem citou o assunto ou o fez em horário secundário.
Os responsáveis poderiam ter usado a internet, mas avisar para quem?
Lembro de uma pesquisa que se propunha a descobrir quem são os lideres de uma comunidade: uma das perguntas era a quem recorriamos numa emergência, que pessoas avisamos primeiro quando necessitamos comunicar algo importante, etc.
O Rodrigo tem se destacado entre as lideranças e deve ter enfrentado problemas desse tipo: quem avisar? Deputados, Senadores, Vereadores, Presidentes de Sindicatos e Associações?
Podemos usar os Grupos de contatos dos e-mails para facilitar essa emissão. Só que alguns provedores bloqueiam quando ultrapassamos determinado número de envios acusando aquele erro 471.
Os e-mails tem a característica de fazer uma distribuição tipo rede ou cadeia: enviamos para alguns que re-enviam para outros, assim atingindo um grande número.
Esse assunto merece ser melhor estudado, pois seguidamente necessitamos comunicar a um grande número de interessados e eles geralmente não sabem o que, nem quando ou aonde procurar.
Existem programas e serviços especializados em enviar e-mais para muita gente, e que driblam as proteções anti-spam.
Os blogs bem procurados como o teu é mais uma fonte para quem necessita estar bem informado, mas parece que a TV é quem tem grande penetração. Quanta coisa ouvimos da Ana Amélia Lemos, Lasier Martins e outros comentaristas conceituados, mas noto que muitos assuntos são truncados ou nem chegam às telinhas...
Uma outra fonte é o twiter como por exemplo http://twitter.com/lasiermartins e também tem aqueles videos do YouTube, que podemos usar gratuitamente.
Acho que falta eficiência na secretaria das entidades quando se trata de enviar correspondencias com maior eficiência.
Simeão

Marta disse...

Exatamente, Simeão, definiste bem a situação. Se tivéssemos sabido anteriormente, poderíamos ter acionado muita gente, através da internet.
A votação deve ter sido divulgada, mas de forma muito light, por isso poucos participaram.
No próximo ano, sabendo do que se trata, ficaremos em estado de alerta, mal apareça qualquer referência ao assunto.
Só que a gente se sente como o Pedro Bó (lembras?), falando Ah, é... e sabendo que uma boa oportunidade foi perdida.