30 de nov de 2009

Cartagena das Índias, na Colômbia



No quarto dia após a partida de Fort Lauderdale, na Flórida, o Celebrity Infinity, navio em que fazemos este cruzeiro turístico, aportou em Cartagena das Índias, na Colômbia, a cidade mais antiga do Novo Mundo. Fundada em 1533, por Don Pedro de Heredia, recebeu esse nome em homenagem ao porto da região de Murcia, na Espanha.

O transatlântico encosta no porto e, após os trâmites adequados, grande parte dos passageiros desce à terra, caminhando, aos pares ou em grupos. A água do Caribe é límpida, da cor turquesa, com grande quantidade de peixes, logo à beira do cais. Bougainvilles floridos em diversas cores enfeitam a entrada do porto.

Como formamos um grupo de seis pessoas, optamos pelo aluguel de uma van, acertado à chegada, depois de alguma negociação em espanhol.

Inicialmente, a van nos leva ao Convento de Santa Cruz de la Popa, fundado pelo padre Alonso García Paredes, em 1606.

Mal a van estaciona, os vendedores de artesanato se aproximam. Junto com eles, o homem com a preguiça agarrada ao pescoço, sugerindo que tiremos fotos com o animalzinho.

Fico com receio, embora bem gostasse da experiência, mas Ará, nosso companheiro, se presta para a foto.

Na parte externa do Convento, podemos desfrutar de uma visão esplêndida da cidade.



Por determinação das autoridades civis, o Convento não pôde ser ocupado pelos padres de 1822 até 1963, mas sempre foi o Santuário da Virgem de Candelária, padroeira de Cartagena e muito venerada pelo povo, cuja imagem está exposta no altar dourado da capela.



Após visitar o Convento, vamos conhecer a fortaleza de São Felipe, de onde se tem a segunda melhor visão da cidade; a primeira é a do Convento. Segundo o guia que nos acompanha, os reis de Espanha costumavam guardar o ouro em Cartagena, daí a necessidade da construção da fortaleza.



Cartagena é bonita, surpreendente, primorosamente bem cuidada e preparada para o turismo. Possui cerca de 1.090.000 habitantes, orgulhosos do seu patrimônio. Além das praias tranquilas, da beleza natural e do clima agradável o ano inteiro, aqui está a casa de Gabriel García Marques, meu escritor favorito. Outros famosos, como Shakira e Julio Iglesias, da mesma forma a escolheram para seu retiro. Ela também é reconhecida pela qualidade das jóias vendidas em seu comércio. Contudo, acredito que, para o turismo, conte muito o fato de ser zona neutra, respeitada pelas guerrilhas.



A cidade está dividida entre o lado moderno e o histórico, todo cercado por uma muralha de 8 km, construída pelos espanhóis, em 1586, como proteção contra piratas, corsários e exércitos inimigos.

A construção da muralha contou, inicialmente, com o trabalho escravo dos índios; depois, com a mão de obra dos negros trazidos da África.

De cima da muralha, é possível ver, de um lado, o mar do Caribe e toda a parte moderna, com os edifícios; do outro, o bairro histórico, com suas casinhas coloridas, as varandas cobertas de flores. Embora seja um pouco mais afastada da praia, a cidade histórica é a preferência dos turistas, por ser muito pitoresca.
Uma linda construção, com o pátio interno em estilo espanhol, nos desperta a atenção. A entrada é permitida, sem tirar fotos, para não perturbar os hóspedes. No antigo convento, agora transformado em hotel de luxo, as peças com acesso ao pátio possuem janelas minúsculas.

Na praça, somos assediados pelos vendedores de artesanato, enquanto carros puxados por cavalos desfilam, tentando despertar o interesse pelo passeio. Preferimos caminhar pelas ruas, apenas, e conhecer a Catedral.

A história está presente em toda a cidade, com numerosos monumentos militares e religiosos. Em 1610, estabeleceu-se em Cartagena a sede do Tribunal do Santo ofício da Inquisição. O porto, as muralhas e os monumentos de Cartagena fazem parte do Patrimônio Histórico da Humanidade, segundo a UNESCO, desde 1984.

Conforme a publicação Frommers, um dos guias turísticos mais importantes dos Estados Unidos, Cartagena foi considerada como um dos 12 melhores destinos, para 2009. Nenhum outro lugar da América Latina participou dessa relação. Neste ano, a previsão era da chegada de 143 cruzeiros.


A cidade antiga é encantadora, caso de amor à primeira vista, com as casinhas pintadas em cores alegres, as trepadeiras floridas debruçando-se nas sacadas, as floreiras nas calçadas, as lojinhas coloridas com o artesanato local, os restaurantes com as mesas ao ar livre, guarda-sóis abertos para proteger do sol forte.



O guia turístico conta que, à noite, as rumbas e as salsas fazem a festa na cidade histórica. Acordam os fantasmas, imagino. Despertos de seu sono, piratas, nobres espanhóis e mulheres com mantilhas de renda preta talvez dancem os ritmos caribenhos, confundidos com os turistas, misturados ao povo.

Cartagena deixa a certeza de que só nos permitiu um rápido vislumbre de sua beleza, por isso o gosto de “quero mais” que fica na boca, enquanto o navio se afasta e lançamos um último olhar para os arranha-céus, a praia, a fortaleza, a muralha.


Pesquisa: Histórico fornecido pelo Celebrity Infinity
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2 comentários:

Ruthe disse...

Que maravilha este nosso mundo!Imagino tua emoção, contagiante,através de tua crônica!
Agradeço, imensamente, teu relato preciso, pois deste-me a oportunidade de viajar, sem sair de casa...
Beijos

Anônimo disse...

Prezada Marta.
Estivemos em Cartagena e gostamos muito, aproveitei a leitura de tua crônica para lembrar vários aspectos que me haviam fugido da memória. Parabéns, gostei muito.
Gilberto Alves.