12 de dez de 2009

Puntarenas, Costa Rica



Quem nunca participou de um cruzeiro marítimo costuma se perguntar se não seria muito monótono, caso de morrer de tédio, aquela imensidão de mar, dia após dia. Contudo, de maneira geral, pessoas que fazem um primeiro cruzeiro, se bem escolhido, costumam repetir a experiência.



Na conversa entre os passageiros do Celebrity Infinity, alguns relatam ser essa a sua décima sétima viagem, outros a vigésima quinta. O casal recordista, porém, foi aquele premiado ontem à noite, por ser esse o seu qüinquagésimo cruzeiro, o que pode parecer exagero, embora eles estivessem muito satisfeitos.

Mas com certeza essa é uma maneira cômoda de viajar, utilizada por pessoas que encontrariam muitas dificuldades, em outras circunstâncias. Há casais de idade avançada, viajando em grupos animados, amigos na mesma faixa etária ou com os filhos e netos. Há portadores de deficiências físicas, eles mesmos dirigindo a sua cadeira de rodas. Alguns viajam com a esposa ou o marido, outros vão sozinhos, independentes e seguros de si. Neste cruzeiro, pelo menos dois, uma senhora e um jovem, carregam junto o tubo de oxigênio. Gosto de vê-los, sem pudor, curtindo tudo a que têm direito. A senhora gosta de música e de ver os pares na pista de danças, por isso coloca a sua cadeira a jeito e ali fica, despreocupada do efeito que possa causar.

Aos americanos e europeus, a sua atitude não parece causar nenhum efeito, acostumados que estão. Em mim, provoca encantamento. Na nossa cultura, as pessoas julgam se preservar, escondendo-se dos olhos alheios, quando apresentam deficiências bem menores. Ou, com certas limitações, preferem se restringir ao meio familiar, privando-se de inúmeros prazeres.

Imagine o que sentiria alguém com tal preconceito em relação a si mesmo, ao ver o homem ser ajudado por dois marinheiros para descer à terra firme, sendo depois colocado em sua cadeira e saindo sozinho a passear. A cena já ocorreu em Cartagena, onde o vi passeando num carro puxado por cavalo,e se repete em Puntarenas, onde o vejo circulando entre as bancas de artesanato, muito à vontade.


Pois, no oitavo dia de viagem, após um delicioso dia em alto mar, depois da travessia do Canal do Panamá, chegamos a Puntarenas, na Costa Rica. Localizada na América Central, na costa do Oceano Pacífico, Puntarenas é a capital e a principal cidade da Província de Puntarenas. A cidade parece tranqüila, com sua gente simples, a pequena praça, as casas singelas. As praias são lindas e algumas feitas de magnetita.



O transatlântico encosta no cais e descemos, caminhando até a feira de artesanato, onde dois jovens, um rapaz e uma moça, fazem um misto de dança e luta, para atrair os passageiros.



A oferta de produtos para lembrança é grande: bolsinhas bordadas para festas, bolsas para praia, colares com pérolas do rio, camisetas, brinquedos de madeira. Os preços são razoáveis e os vendedores gentis, embora empenhados em vender as suas mercadorias.

Alguns passageiros foram conhecer as praias, outros foram praticar mergulho ou conhecer as cidades próximas. Preguiçosos, preferimos visitar a feira de artesanato, que nos toma um bom tempo, pelos interessantes artigos; depois, saímos a caminhar pela cidade, num ambiente tranqüilo de cidade do interior. Sendo domingo, quase tudo está fechado, mas encontramos um local de acesso à internet e colocamos a comunicação em dia, através de emails e do skipe. Mais tarde, ficamos à beira da praia, próxima ao cais, usufruindo da paisagem tranqüila, pessoas atiradas na areia, crianças brincando na água.

À tardinha, o Infinity segue viagem, rumo a Huatulco, no México, com direito a mais um dia entre céu e mar. Tempo para ler, escrever, conversar com os amigos. Tempo para curtir o momento presente.

2 comentários:

suelyDuarte Simões Lopes disse...

Marta, viajo sempre contigo. Que maravilha, acho que quando eu melhorar na recuperação do meu femur operado, vou viajar um pouco. Sei que a família vai tentar me barrar, inventam que vou viver 100 anos e esperam o que de mim? Nunca ficarei de "boca aberta, esperando a morte chegar".
Adorei as fotos, tu no computador e depois em uma sala de visitas. Muito bacana. Um beijo grande para vocês.

Ruthe disse...

Adorei o passeio!Fiquei maravilhada com tudo que vi!Vou comprar uma dose bem forte de "Anausem" e tentar fazer esta bela viagem.
As fotos me encantaram - uma bela idéia!
Beijos e mil cruzeiros!