10 de jan de 2010

Mulheres e modismos

Neste ano, os figurinos e as vitrines se encheram de vestidos e as mulheres, de todos os tipos e corpos, aderiram à vestimenta. Ótimo, porque saias e vestidos são mais agradáveis no calor do verão. Mais femininos, também. Em anos anteriores, contudo, ainda que fizesse temperatura semelhante, a maioria das mulheres se submetia ao uso de calças compridas, mesmo padecendo com o calor, apenas para obedecer à moda.

Neste ano, da mesma forma, por sorte, as sandálias estão em alta e assim usufruímos de liberdade para os pés, no calor de 30 graus. Se a moda, como ocorreu em anos anteriores, mandasse usar sapatos fechados, poucas teriam a ousadia de usar a sandália esquecida no armário, já que outra não haveria à venda. Quem rompe paradigmas e veste o que deseja ou lhe cai bem, independente do que ditam os costureiros famosos?

Ficamos tão bitoladas, que sequer questionamos o que nos serve ou qual moda deve ser ignorada, por fútil ou ridícula. Aqui é bom explicar que isso não é crítica, seria mais uma observação, já que me enquadro na mesma circunstância. Aliás, quando mulheres da minha geração começam a lembrar quanta loucura já fizeram com os cabelos, por exemplo, as da nova geração nos olham pasmas, custando a acreditar.

Também não se alegrem os homens, julgando-se superiores, por puro acaso não foram citados em suas modas muitas vezes estranhas.

Na Revista Veja, a escritora Lya Luft expressou seu desejo de que, no ano que começa, cada um se dispusesse a pensar. Apenas isso: pensar. Parece pouco, quase tolo. “Ora, quem não pensa? A gente vive pensando. Pensa desde que acorda” _ argumenta, meio irritado, o nosso diabinho interior.

É mesmo? Será que a gente pensa? E, se pensa, adiantam de alguma coisa os tais pensamentos? Servem para nos mostrar o rumo que desejamos seguir? Ou acompanhamos a tropa, copiando maneirismos, atentos ao que usam, fazem ou a como se comportam os outros?

A moda, contudo, é apenas um exemplo da nossa tendência a sermos bitolados, acomodados, subservientes. Mas moda e modismos ainda são coisas de pouca importância. Todo final de ano, contudo, a mídia enumera acidentes nas estradas, causados por bebedeiras ou por outras inconseqüências. Repetem-se as tragédias, ano após ano. Isso é pensar? Não ter um mínimo de bom-senso, correr riscos, colocar em perigo a vida dos outros, por se julgar todo-poderoso e acima das leis, é ser inteligente e dado a pensar? Irritar os outros no trânsito, sabendo que algum maluco pode ter alguma reação despropositada, é coisa de gente que pensa?

Mulheres sofrem violência da parte de maridos e namorados, mães fingem não ver a violência cometida contra seus filhos e filhas. Todas optam por não pensar. Autoridades constituídas abusam do poder que seus cargos lhes conferem e seus pares se fecham em círculo, fingindo protegê-las, enquanto protegem a si mesmos. Ser obediente a modismos é o de menos, realmente. Mas aprender a se posicionar, reagindo a modismos que vão contra o bom-senso, pode ser um primeiro passo no sentido de seguir as próprias idéias, sem se deixar levar pelas massas.

Pensar é incômodo, muitas vezes. Pessoas que pensam não se deixam levar. Viram a mesa, mudam de rumo, assumem posições, criam coragem para o enfrentamento. Arrancam máscaras, destampam situações. Incomodam-se, são caluniados, preteridos em favor de outros mais fáceis de conduzir. A única vantagem é que dormem em paz. Mas, se um dia o mundo mudar pra melhor, será por responsabilidade de todos aqueles que pensam e, discordando, não se submetem.

Um comentário:

Ruthe disse...

Como sou muito crítica, mesmo tentando me controlar, a moda se adapta à mim e não me adapto à moda!Naturalmente não pretendo ser "diferente" ao ponto de chamar a atenção, mas apenas acomodo-a ao meu tipo físico e a idade. Acredito que tenho me saido bem...
Beijos