3 de mar de 2010

Até quando?

No supermercado, observo a moça do caixa, passando cada mercadoria diante do visor da máquina registradora, depositando uma a uma no balcão, depois novamente pegando uma a uma pra colocar no saco plástico e completar o procedimento.
Em outra oportunidade, é provável que ficasse encantada por ela estar prestando esse atencioso serviço, já que, neste estabelecimento, era esperado que o consumidor empacotasse as mercadorias.

Mas, por acaso, recentemente, tive oportunidade de observar esse mesmo procedimento em supermercados uruguaios. E lá, tanto no Disco como no Tienda Inglesa, a moça do caixa empacota as mercadorias diretamente, após registrar o preço. Como os sacos plásticos estão acondicionados de forma a abrirem com presteza, ao serem puxados, ela pode realizar toda a operação de uma só vez, sendo grande a economia de tempo proporcionada pela racionalização do serviço. Aqui, note-se o detalhe que os sacos costumam estar dispersos sobre o balcão _ quando não estão em falta, precisando ser solicitados _ e nem sempre abrem com facilidade. Aliás, é comum o caixa precisar agitá-los, duas ou três vezes, até conseguir que abra.

Sem falar que, nesses dois estabelecimentos, também observei a inexistência das compridas filas de espera diante dos caixas, ao contrário do que ocorre aqui, o que pode ser conseqüência tanto do atendimento mais ágil como do maior número de caixas disponíveis. Qualquer que seja a razão, porém, o que importa é a evidente preocupação com o bem-estar do consumidor.

Seriam aqueles consumidores mais exigentes, por isso merecem maior consideração?
Em São Paulo, no supermercado Pão de Açúcar, como já tenho comentado, os empacotadores são realidade, cada um numa caixa, sem que se precise pedir. Aliás, os empacotadores também levam as mercadorias às casas próximas, ou pelo menos até o automóvel ou ao táxi em que o consumidor pretenda embarcar.

Aqui, a ida ao supermercado costuma obedecer ao seguinte roteiro: o consumidor tira todas as mercadorias do carrinho, ao chegar diante do caixa (em alguns locais, não adiante querer se apressar e colocar muitas mercadorias sobre o balcão, pois a esteira não é rolante); empacota as mercadorias, depois de registradas; coloca todas novamente no carrinho; empurra o carrinho até o automóvel e lá transfere as mercadorias para o automóvel. Cansou? Eu também.

Contudo, se a compra foi pequena, não há maior transtorno; o consumidor é penalizado justamente quando enche o carrinho, inclusive com refrigerantes de dois litros. Ou quando a senhora é idosa. Ou o homem não deve carregar peso, por ordem médica. Em qualquer caso, se não solicitar ajuda, embora flagrante a sua necessidade, seguirá todos esses passos e se conduzirá para a porta, empurrando o seu carrinho, sob o olhar desinteressado dos funcionários, orientados para não oferecerem ajuda.

Em Pelotas, um projeto de lei estabelece a obrigatoriedade de empacotadores em estabelecimentos que possuam mais que seis caixas registradoras. É um começo, mas talvez a pressão se torne mais eficiente se vier dos próprios consumidores, quando começarem a rechaçar tais estabelecimentos, exigindo a consideração ensinada em qualquer manual de qualidade no atendimento. Ou quando começarem a trocar informações sobre os benefícios existentes em supermercados da periferia. Ou quando nossas preces forem ouvidas e outra rede de supermercados se instalar na cidade, criando a concorrência necessária.

Um comentário:

Ruthe disse...

Não sei o que está acontecendo nos supermercados de uns tempos para cá, pois antes nada disto se passava. O atendimento nas caixas era perfeito - o cliente não tocava em nada.Estaremos entrando em tempos de retrocesso, numa era de tecnologia avançada?