9 de mai. de 2010

Pedofilia, um tema vergonhoso

Certos assuntos são difíceis de abordar, principalmente se mexem com as nossas emoções. Fugimos deles, enquanto possível, algumas vezes reunindo forças para a abordagem, em outras receando meter os pés pelas mãos, tão injuriados nos sentimos, em relação ao tema. Muitas manchetes que povoam os jornais, como as grandes tragédias e catástrofes, passam muito bem sem mais uma opinião pegando carona no interesse geral, quando nada há a acrescentar. Outras, ao contrário, precisam da mobilização de todos; quanto mais se falar, melhor. É o caso da pedofilia, assunto doloroso ao extremo, triste realidade que precisamos unir forças para enfrentar, para que as vítimas, sentindo-se fortalecidas, comecem a reagir e a denunciar.

Porque a pedofilia só persevera pela conivência, pelo medo de ser mal compreendido, o pavor de criar situações com que não se sabe lidar.

Crianças e jovens precisam ser alertados do perigo à espreita, e isso é muito triste, porque macula todos os relacionamentos, desvirtua gestos inocentes, dificulta a demonstração de carinho, o abraço e o beijo sem conotação sexual.
Adultos idôneos receiam ser mal interpretados, cuidam-se para evitar mal entendidos, perdem a espontaneidade em suas manifestações, e isso é muito triste.

Hoje se sabe de abusos por parte de pessoas que deveriam merecer o maior respeito. Padres, professores, médicos, amigos da família, tios, até mesmo pais e avós abusam de crianças e jovens que, atingidos em sua confiança, acham-se sem condições de reagir ou denunciar. Quem acreditará neles? Quem os protegerá, se contarem a verdade? Ou, desacreditados, terão que continuar convivendo com o agressor?

Precisamos cuidar melhor das nossas crianças, alertá-las, dar-lhes motivos para acreditar que têm a quem recorrer, porque não estão sozinhas, nem são culpadas das distorções de comportamento de que são vítimas.

Conforme mais histórias vêm à tona, inúmeros adultos de hoje estão criando coragem para denunciar os abusos de que foram vítimas, na infância ou na adolescência.

Precisamos instruir nossas crianças para que não sejam as próximas vítimas, mas elas só se sentirão seguras, ao denunciar, quando os culpados começarem a ser punidos e afastados do seu convívio. Enquanto permanecerem por perto, prestigiados, ocupando cargos ou apenas sendo mudados de um lugar para o outro, para saírem do foco, as crianças continuam com o direito de ver a sociedade como hipócrita e em não acreditar que, denunciando, serão compreendidas.

O corporativismo, o receio do escândalo e outras motivações igualmente injustificáveis fazem com que as instituições optem por acobertar seus membros, quando tomam conhecimento de seus crimes. A sociedade precisa tomar a si a tarefa de denunciar, cobrar e exigir reparação. Enquanto fechar os olhos, para não ser obrigada a tomar medidas reparadoras, torna-se conivente, cúmplice e igualmente criminosa, por permitir a perpetuação de situações que jamais deveriam ocorrer.

Somente quando o cerco apertar e tais criminosos se virem expostos, perdendo o respeito da sociedade e as regalias dos cargos que lhes permitem a impunidade, as crianças poderão se sentir protegidas e em condições de reagir.

3 comentários:

Ruthe disse...

Filhos são uma eterna preocupação, mas não como atualmente. É preciso instruí-los, desde cedo, quanto aos perigos ocultos, muitas vezes, de qualquer indivíduo. Que tristeza, não é mesmo? Este escrito deveria estar afixado em todas as escolas!
Beijos

Anônimo disse...

Infelizmente a pedofilia tem predominado cada vez mais em nossa sociedade, gente isto tem que acabar vamos todos denunciar, pedofilia é CRIME. Concordo com você Ruthe,este escrito deveria estar afixado em todas as escolas!

Anônimo disse...

O que acham de imprimir levar ou pedir para nossos filhos levarem para suas escolas, este artigo impresso. É uma idéia ótima, com isto todos podem estar mais informados sobre este tema polemico.