11 de jul de 2010

Os filhos desta terra

Nesta semana, Pelotas completou 198 anos. É tempo de dedicar um olhar mais profundo à aniversariante. Pensar no que almejamos para ela e, em conseqüência, no que desejamos para nós, todos os que optamos por aqui permanecer.

Tenho raízes bem firmes neste solo. Por muitos anos, foi só o que conheci. Nesse tempo, talvez pudesse ter dúvidas sobre o local ideal para viver, justamente pela incapacidade de comparar. Hoje, com mais vivência, tendo oportunidade de conhecer outros lugares, embora saiba que me adaptaria em qualquer canto, alegro-me por ser Pelotas o meu chão.

Princesa moderna, adaptando-se aos poucos a novos modos de ser e ter, Pelotas somos nós. A alguns parece cômodo criticá-la. Não faltam críticos, nesta terra. Embora crítica também seja, por natureza, compreendo que somos os responsáveis pelas mudanças desejadas. Apontar defeitos, sem buscar soluções, é atitude de quem prefere o exercício da crítica à ação transformadora. E as coisas só começam a mudar quando, além de enxergar os defeitos, começamos a buscar soluções.

Conhecer lugares diversos, observar outros comportamentos, comprovar as diferenças aumenta o nível de exigência das pessoas. Deixamos de nos conformar com pouco, quando descobrimos que outros fazem mais e melhor. Nessa ânsia de desenvolver, às vezes exigimos demais de quem ainda não chegou a certo ponto, deixando de ver muitos outros que batalham, empreendem e vencem. Muitos que, trabalhando sem alarde, abrem espaço com determinação e garra.

As críticas são repetitivas, grande parte dirigida ao passado e ao “espírito retrógado” dos homens de então. Justamente aqueles homens e mulheres que nos legaram os prédios e instituições seculares que hoje são motivo de orgulho para nós. Homens e mulheres que, inclusive, se preocuparam com os menos favorecidos, erguendo hospitais e casas de caridade, como a Santa Casa de Misericórdia, o Asylo de Orphãs, o Asilo de Mendigos, a Creche Sâo Francisco de Paula e tantos outros, onde velhos e crianças ainda encontram acolhida. Preocupados em trazer cultura, construíram o Theatro Sete de Abril e o Guarany, ergueram a Bibliotheca e a fizeram Pública, para que qualquer um ali pudesse encontrar o saber. Participaram da vida política, ocuparam cargos públicos, projetaram o nome de Pelotas a nível nacional. Fizeram a sua parte.

Deixemos que descansem os antepassados. Se a idéia é uma Pelotas empreendedora, ativa, fervilhante, não é momento de criticar, mas de agir. E a boa notícia é que a ação já começou. Gente corajosa progride, em diferentes áreas, a maioria alheia aos holofotes. É só caminhar pelas ruas, percorrer o pujante comércio do centro, descobrir o movimento fervilhante do bairro Fragata e o crescimento surpreendente do bairro Três Vendas. Enveredar pela Colina do Sol, deixar pra trás o Seminário, depois a Baronesa, e pensar que moradias tão lindas só podem ser resultado de muito trabalho.

E o melhor é que parte dessa gente começa a compreender a importância de pensar junto, organizando-se em grupos, para que Pelotas fique cada vez melhor. Por isso, descansem os antepassados: os filhos desta terra aprendem a cuidá-la. Descobrem que Pelotas somos nós, cada um e todos. E, se acaso desejamos mudanças, quem sabe começamos por nós?

Um comentário:

Ruthe disse...

Como é gratificante podermos dizer que somos filhos desta terra!O trabalho benemerente nos torma mais humanos,mais felizes. Seria muito bom se não precisassem de nossa ajuda, mas quase nada é como gostaríamos que fosse, e assim, eis os filhos da terra dando seu carinho, seu apôio!