4 de ago de 2010

Livros de graça na praça

Desperta a atenção a prateleira cheia de livros, colocada à entrada do restaurante, no Parque Nacional de Jaguara, MG. Muito manuseados, os livros demonstram terem passado por várias mãos.

Pergunto o significado da prateleira. Descubro que pertence ao projeto “Livros de graça na praça”, promovido pela ONG Amigos da Cultura. O projeto consiste no empréstimo, sem custo, de livros recebidos em doação. A pessoa interessada pode pegar o livro e devolvê-lo mais tarde. Caso não tenha oportunidade de devolvê-lo, deve emprestá-lo a outrem, para que o livro siga o seu caminho.

Lançado na Praça da Matriz de Sacramento, MG, em novembro último, na forma de evento cultural, com apresentação de músicos e bandas locais, o projeto teve como principal idealizador o casal proprietário da Livraria Brás Cubas, apoiado pela Câmara Municipal e por outros amigos da cultura. Consta do projeto a participação em diferentes praças, com espaço de 45 dias entre uma e outra.

Inteirando-se desse projeto, alguém conta que, no Canadá, há alguns anos, precisando usar a internet, foi encaminhada a um local próximo, onde, além de obter acesso gratuito, observou adultos e crianças escolhendo livros para ler em casa. Soube, então, que, em cada bairro da cidade, havia um local semelhante aquele, aberto ao público, sem custo algum.

Aos poucos, em algumas cidades brasileiras, espaços semelhantes estão sendo criados. A Livraria Cultura, por exemplo, em muitas capitais, disponibiliza, há algum tempo, um agradável recanto de leitura. Sentados em cômodas poltronas, os leitores podem se deleitar com o livro escolhido, como se estivessem na melhor biblioteca pública. É só chegar, pegar o livro na prateleira e dedicar-se à leitura, sem enfrentar a menor cara feia, pois aquele local se dedica a essa atividade.

Em São Paulo, na Alameda Lorena, a Livraria da Vila criou um grande espaço para os leitores infantis. Além das cestas cheias de brinquedos para brincarem à vontade, enquanto permanecem no recinto, as crianças também podem retirar livros das prateleiras, completar os quebra-cabeças, divertir-se. Durante todo o mês de julho, além dessa disponibilidade, diariamente terão a oportunidade de ouvir um contador de histórias, em horário anunciado.

A princípio, fiquei imaginando qual seria a vantagem das livrarias, ao permitirem acesso gratuito aos seus produtos. Depois, observei que, enquanto algumas pessoas liam, tranquilamente, aproveitando algum horário livre, outras preferiam escolher os livros e se dirigir ao caixa.

Na oportunidade oferecida às crianças, então, a fidelidade estabelecida compreende mães, pais, avós, babás, que passam a freqüentar com assiduidade aquele espaço, preferindo-o para suas aquisições.

Mas há mais que preocupação financeira, quando algumas pessoas se preocupam em expandir o universo de outras, proporcionando-lhes acesso a conhecimento, seja através de livros, da internet ou de outros meios. Há o prazer de proporcionar crescimento, a crença de que certas atitudes podem fazer a diferença. E a certeza de que essas ações não acabam em si, elas costumam crescer em espirais, como quando se atira uma pedrinha à água e o efeito se mostra bem maior que o esperado.

Alguém tem a idéia de colocar livros na praça. Outros julgam a idéia interessante e contribuem com mais livros. Logo a idéia se expande e outras praças começam a receber livros e leitores. Alguns desses se deslocam para outras cidades, levam a idéia absorvida, que já não tem mais dono. Pertence a quem possuir um livro esquecido na prateleira, doido para seguir o destino agradável a todo livro: encontrar um leitor interessado e ter a oportunidade de proporcionar alguns momentos de reflexão e prazer.

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