13 de ago de 2010

O Shopping vem aí?

Quando um relacionamento está em crise, é comum o papel de vilão ser atribuído a algum elemento externo, a vilã, em alguns casos. Pessoas de bom senso sabem que o papel do intruso é secundário, como a faísca que causa a explosão do que estava prestes a explodir. A polêmica sobre centro da cidade e Shopping Center, se a chegada do segundo significará a morte do primeiro, lembra esse tipo de discussão, em que o principal deixa de ser considerado.

Pessoas que moram em bairros ou um pouco afastadas do centro terminam por fazer compras na periferia, onde atualmente também há muitos estabelecimentos comerciais de qualidade. Mas, vez por outra, a gente vai ao centro e nota que a cidade mudou. A área central da cidade de Pelotas apresenta comércio excelente, o que não ocorria há alguns anos.

Antes, era natural não encontrar o que se desejava. Hoje, há várias opções em roupas, calçados, brinquedos, jóias, eletrodomésticos e artigos para casa. Também há vários cafés, confeitarias, restaurantes a quilo, floriculturas, coisa que ninguém acreditaria que desse certo na cidade, há algum tempo.

Mas, sendo tão promissor, o centro de Pelotas apresenta situações que não combinam com o esforço dos comerciantes em trazer o melhor para os seus estabelecimentos: os calçadões pecam pela falta de higiene; faltam lajotas e há muitas quebradas, propiciando acidentes; o chafariz da Andrade Neves se transforma em lixeira, seguidamente; cães abandonados circulam, contribuindo com suas “surpresas”; cobertores e travesseiros amontoados, sob algumas marquises, caracterizam-nas como residências oficiais de mendigos e marginais, que deveriam estar em abrigos, inclusive pela sua segurança. À noite e aos domingos e feriados, fechado o comércio, são raros os estabelecimentos com grades protetoras que permitam ver as mercadorias em seu interior; por questão de segurança, a maioria está completamente cerrada, da mesma forma que as galerias. É óbvio que, nesse clima, as ruas ficam desertas e se torna perigoso circular ou deixar o automóvel, inclusive para ir ao único e valoroso cinema.

O centro de uma cidade como Pelotas possui alma. Caminhar pelo calçadão, num dia de sol, ouvindo a passarada; passar pelo casal de dançarinos, enlaçados como se estivessem a dançar num salão; parar para ouvir Los Latinos, levar para casa o encanto de sua música; observar os diferentes grupos de homens, próximos ao Aquário, com suas histórias e peculiaridades; tudo isso é imperdível.

Mas o centro precisa se remodelar, tornar-se seguro, enfeitar-se. Fazer como fazem as pessoas, quando interessadas em conservar o relacionamento: investir em si mesmo. Se souber fazer isso, após o primeiro momento de encantamento com o Shopping Center, as pessoas voltarão aos seus afazeres no centro. Da mesma forma que há público para o comércio central e para a periferia, há público para o Shopping Center, principalmente porque ele atrairá turistas de outros municípios, que também encontrarão encantos na área central.

Não sei o que compete aos comerciantes ou ao Poder Público, nesse romance. Sei que cada um precisa fazer a sua parte, a começar por nós, cidadãos. No Shopping, ninguém poderá atirar sequer papel de bala ou toco de cigarro no chão. Que tal começarmos a nos preparar?

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