30 de abr de 2011

Pergunta pertinente

Na Coluna Linha Direta do dia 20/4, no jornal Diário da Manhã de Pelotas, RS, o jornalista Hélio Freitag, após confessar o seu espanto por tomar conhecimento de vários amigos e conhecidos que, recentemente, procuraram atendimento médico em Porto Alegre, lançou a pergunta: “Mas o que está acontecendo com a Medicina em Pelotas”?
É possível que pessoas mais informadas possam vir a público fornecer as explicações solicitadas; será muito bom se isso acontecer. Como leiga, contudo, arrisco-me a meter a colher torta e sugerir uma resposta.

A Medicina em Pelotas vai muito bem, obrigada, se considerarmos os excelentes médicos, em todas as áreas. É uma injustiça com eles, quando seus conterrâneos e amigos se dirigem a outros centros, buscando os conhecimentos que poderiam usufruir aqui.

Mas o que vai mal, em Pelotas, e precisa melhorar, urgentemente, são as condições oferecidas em alguns hospitais. Fica antipático falar, muito chato mesmo. Qualquer cidadão pelotense adoraria poder encher o peito e falar só elogios. Se isso ocorresse, ninguém precisaria se locomover para outros centros, com gastos de viagem, hospedagem e todo o incômodo da locomoção, numa ocasião em que a pessoa está fragilizada.

Em 2003, precisei sofrer uma intervenção cirúrgica e me internei em um grande hospital de Pelotas. A cirurgia foi um sucesso, o atendimento e o trabalho do cirurgião nota 10, o apartamento ótimo, idem a alimentação. Mas a passagem pela sala do pré e do pós-operatório foram de não acreditar.

Antes, precisei fazer uma coleta de material. Fiquei numa salinha, homens e mulheres juntos, com aquelas batinhas infames, aguardando. Para vestir as minhas roupas, depois do procedimento, fui ao banheiro ao lado da tal salinha, concentrando-me para não tocar em nada, tal o estado do local. Inclusive, num recipiente grande, aberto, havia dezenas de panos ensangüentados, deixados por outros pacientes. Surreal, em tempos de proliferação de vírus hospitalar.

No dia da cirurgia, fui conduzida à sala que seria do pós, para aguardar a minha vez. Só que, sem anestesia, sentada no colchão em estado precário, lençóis que deviam ter sido aposentados há muito tempo, fiquei olhando à volta. Pensando que voltaria para ali, desacordada. Após o ocorrido, preferi não comentar o fato, para não ser mal interpretada ou causar ressentimentos.

Pouco tempo depois, a filha de uma amiga passou pela mesma situação, no mesmo hospital. Soube que, sentada naquela sala, aguardando a sua vez, bem acordada, olhou à volta, apavorada, e pensou em mim, perguntando-se se eu teria passado por aquelas mesmas circunstâncias.

De lá para cá, por contingências da vida, não estive hospitalizada em hospitais locais, por isso não sei o quanto a situação mudou. Inclusive, acredito que não seja generalizada. Contudo, o fato de um número cada vez maior de pessoas se dirigir a outros centros, quando precisam de hospitalização, independente dos excelentes e atualizados profissionais existentes na cidade, faz recear que a situação continue longe da ideal. E, se buscar socorro médico em outras cidades se caracteriza como injustiça para com os excelentes profissionais em atividade em Pelotas, maior injustiça é cometida contra as pessoas que, por quaisquer razões, precisam aceitar as condições oferecidas, mesmo que precárias.

Por isso, a pergunta do jornalista Hélio Freitag é muito pertinente. Quem sabe está na hora de todos _ administradores, médicos, enfermeiros, pessoal da limpeza e cidadãos _ se unirem num mutirão por melhores condições, principalmente de higiene. Se tal campanha tivesse êxito, dificilmente alguém pensaria em se locomover a outra cidade, em busca de atendimento médico.

Um comentário:

Ruthe Nudilemom Peters disse...

Muito difícil, para mim, tecer comentários sobre o ocorrido e o ocorrente, pois sempre que necessitei de internação, em várias situações, fui muito feliz e agradecida.Não conheci este lado obscuro, e fico triste de saber, que existe.