9 de jan de 2012

Desencanto

Encerrei o ano de 2011 em clima de desencanto. Perplexa com o que se manifesta em vários setores da vida pública, principalmente pelo acobertamento que uns proporcionam a outros, como se a maioria preferisse compactuar a desmascarar o que percebe ao redor. Triste, ao mesmo tempo, com a cara de pau ou a omissão de pessoas que deveriam ser as primeiras a dar o exemplo, pelas posições ocupadas.

Senti o Brasil como carroça desgovernada indo ladeira abaixo, enquanto alguns olham, sem ânimo para intervir, e outros aproveitam para se apoderar das sobras. Esses, audaciosos, avançam a mão e pegam o que podem, sem medo das conseqüências, enquanto os honestos se retraem e preferem não se posicionar, para não “comprar briga”. Mais que a audácia dos aproveitadores, dói a covardia dos que se consideram íntegros.

Compreendi, pelo observado aqui e ali, que o aceno do cargo cobiçado ou de melhor remuneração pode significar a diferença entre se conservar na linha ou jogar tudo pro ar e pegar o que se apresenta. E, quando os grandes dão o exemplo, os pequenos aprendem logo. Se o chefe rouba, dá idéias ao funcionário pouco convicto do valor da honestidade. Aliás, funcionário que conhece o “rabo preso” da chefia domina a situação. Assim, é preocupante o futuro, se ninguém segurar a carroça em queda livre.

Custamos a acreditar, quando as manchetes diárias nos falam do vale-tudo para atingir objetivos escusos, mas de repente ele se mostra, ao transpor uma porta. Assimilamos a realidade, quando caem as máscaras, e fica o dito por não dito, ignorados os compromissos assumidos, jogada ao ar a credibilidade esperada. E, depois da credibilidade abalada, como ficam as parcerias? É possível construir juntos, depois que o tapete foi puxado a primeira vez?

Mas, diante do desencanto, reage a crença em vários segmentos da sociedade civil, gente que não depende de votos ou do apoio popular e se mostra íntegra, sem precisar nada em troca. Gente que proporciona empregos e garante salários. Trabalhadores em pleno exercício de sua atividade, inclusive na área pública, capazes de fazer algo mais, por desejar compensar, com o bom atendimento, as falhas do sistema em que estão inseridos. Gente humilde, muitas vezes, capaz de dividir o pouco que possui.

Como tantos que batalham, nas diferentes instituições, para proporcionar conforto, educação, atendimento médico e psicológico a quem foi abandonado à própria sorte.
Cabe a essa turma ainda capaz de construir a formação dos jovens e, principalmente, das crianças. Valores como honestidade, trabalho, respeito ao outro e solidariedade precisam ser impressos com firmeza e constância, sem perda de oportunidade. Para isso, não se pode esmorecer, pensar que é melhor se render à sem-vergonhice e tirar também uma casquinha.

Discursos são vazios, quando não acompanhados das ações correspondentes. E discursos vazios não faltam, nos mais diversos púlpitos. Mas se, através do país, as notícias correm céleres, desmascarando personalidades que acreditávamos isentas, mais ligeiras elas correm nos estados e municípios, no boca a boca das cozinhas, salas de visitas e de reuniões. Por isso, nem tudo está perdido, enquanto tivermos voz e meios de comunicação ao nosso alcance.

3 comentários:

Norma S. L. Duarte disse...

Vou morrer otimista sempre achando que, " Além do Arco iris..." tudo vai melhorar. Não adianta esperniar, o ser humano é cheio de defeitos; que se repetem desde que, o mundo é mundo.Mesmo assim, aprecio quem se manifesta em favor da integridade e moral, coitadinhas hoje,qualidades quase desconhecidas pela nova geração.Norma S. L. Duarte

Ceres disse...

Querida do meu coração, dá nome aos boizinhos...

Ceres

Rosa Maria disse...

Para bom entendedor, meia palavra basta...

Rosa Maria