1 de mai de 2012

Sogras e noras, qual o problema?





Em agosto de 2003, publiquei uma crônica sobre o relacionamento de sogras e noras, neste blog. Até hoje, de vez em quando, alguém coloca um comentário, não sobre a crônica, mas sobre a sua sogra, a peste que é ou se tornou. Sobrou até pra mim, só porque lembro da minha sogra com o maior carinho, por tudo que representou na minha vida e pelo tanto que sempre me ajudou, como a filha que não teve. Tive sorte, sei. Mas sorte, pra durar, precisa de uma ajudazinha, que com certeza dei, fazendo a minha parte. Todo relacionamento é via de mão dupla.


Dia 28 de abril, foi o Dia da Sogra. Alguém contou que se deu conta da data, quando recebeu, pela manhã, as flores que a nora, gentilmente, sempre envia nessa data. Outra falou na mensagem brincalhona que recebeu do genro, no celular. Genros costumam se conservar à margem dos problemas, fazendo piadas mas evitando atritos, ainda que a sogra não seja a ideal (alguém é?). Alguns filhos, ao contrário, quando não conseguem ter bom relacionamento com as mães, fazem as esposas e companheiras de confidentes, como é natural, e algumas terminam por tomar o partido deles. Se a sogra não for realmente uma megera de carteirinha _ aquela que não têm jeito nem conserto e da qual é mais seguro manter distância _ seria de bom senso a nora ficar na sua, procurando acalmar, lembrando coisas boas (alguma deve haver), porque o tempo passa, mãe e filho se acertam e quem fica mal na foto é a nora que se posicionou, pressionada pelas circunstâncias.

Sogras também falam mal das noras, muitas vezes. Algumas, por criarem expectativas que a outra não consegue cumprir (será que as filhas sempre cumprem? Ou será que somos _ agora me enquadrei _ exemplo de perfeição?); outras, por ciúmes dos filhos. Pessoas mal resolvidas costumam olhar pras outras e achar que não são o que deveriam ser. Como se a gente pudesse ser maravilhosa, em todos os momentos da vida, nas múltiplas opiniões externadas, alegre ou triste, disposta ou no bagaço.

O tempo foge, na correria do cotidiano. Passa tão ligeiro, que muita coisa fica por fazer, viver ou curtir. E aí vêm algumas mulheres, queixando-se de que passou rápido demais, os filhos cresceram sem que percebesse “e, o pior, casaram...” _ como dizia a mensagem que recebi por email, com o nome “Netos, não cresçam tão depressa”. Mas logo _ deliciosa surpresa, segundo a autora _ vieram os netos, e a mulher da mensagem se sentiu reviver com o presente recebido.


Netos são maravilhosos, mas não são propriedade das avós, sogras e mães de suas noras e filhas. Netos são responsabilidade primeira de seus pais, quando pequenos, por mais acarinhados e apoiados que sejam pelas avós, até o dia em que criem asas e assumam o seu destino. E falo das avós, porque os avós, por amorosos que sejam, não costumam ser possessivos como as mulheres podem ser, se não estiverem atentas.


Levado assim, em tom de brincadeira, o tema “Sogras e noras” parece leve, mas o mínimo deslize pode transformá-lo em tragédia. Pessoas tomam atitudes difíceis de entender, levadas pelas suas emoções. Famílias se desintegram, quando a conversa gostosa não se mantém, à volta da mesa. Tudo porque, na maioria das vezes, uns pretendem moldar os outros à sua maneira de ser. Quando o bom da convivência é cada um contribuir com o seu melhor, aprender com as diferenças. E sogras e noras podem ser muito amigas, se abandonarem os papéis estereotipados e se olharem apenas como duas mulheres, cheias de problemas e dúvidas. E é tão bom quando alguém nos olha como gente e nos ama sem cobranças.



3 comentários:

Ruthe disse...

Minha sogra e eu tinhamos uma estreita amizade.Dona Elly era uma pessoa muito tranquila e generosa. Sinto muito a falta dela.
Adorei tua Crônica - muito merecida.
Beijos

Roberta disse...

Roberta
Marta li sua crônica passada, mas não completamente, pois como a minha sogra sempre foi uma mãe para mim, não senti necessidade de ler o texto por completo.
O que tenho a dizer aqui é uma declaração de amor pela minha sogra. Ela foi mais do que uma mãe, foi minha amiga, confidente, professora na arte de viver e grande mulher em todos os sentidos. Costumava dizer assim " Nunca brigue com sua nora por causa do seu filho, mas fique sempre ao lado dela. Os filhos perdoam as mães, mais as noras não". Com essa filosofia, esteve ao meu lado por 30 anos. Infelizmente Deus a levou a 2 meses atrás e apesar de minha mãe estar viva, me sinto orfã, pois perdi a pessoa que eu confiava, que me apoiava e se dedicava a mim. Não entendo essa história de briga entre noras e sogras. Hoje sou sogra e minha nora é como uma filha para mim, e eu como uma mãe para ela. Para tudo me liga e pede orientação. Eu creio que as pessoas não se deêm bem por pura falta de educação por uma ou ambas a partes. Com isso quero dizer que no universo sogras e noras, devem haver outras como nós que apreciamos o convivio desta relação que pode ser muito positiva. Abraços

Marta disse...

Obrigada, Roberta, por essa linda declaração de amor; ela diz muito sobre a sua personalidade bem resolvida e generosa. Um grande abraço.